segunda-feira, 15 de agosto de 2016

AS CHAMAS DA INCÚRIA

Portugal arde todos os anos!

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AS  CHAMAS  DA INCÚRIA

Todos os anos se ouve o gargarejo dos argumentos, das promessas e das boas intenções sem intenção nenhuma! 

Estamos em Portugal e fomos negociados e vendidos pelos mesmos traidores mansinhos que nos cegam com palavras e olhares de cachorrinho carente!
 Estamos no cantinho mais pendurado no mar de uma Europa trapaceira e sem princípios!
  Sobrevivemos dos enganos que nos fazem engolir e caminhamos no marasmo do conformismo e dos comentários de café, sem levantar os olhos e muito menos abri-los. 
  Perdemos a força de outrora, porque aos vendidos resta apenas a gratidão por qualquer migalha que lhes atiram. 
  Elegemos a escória que nos programaram para escolher, num encolher de ombros submisso e aguardamos pacificamente que tudo continue na mesma.
  Pode morrer um bombeiro, perdido numa mata em chamas, mas não será tão chorado quanto qualquer "dinossauro" da política! 
 Os heróis, caiem de pé, mas a sua memória, perde-se injustamente no propositado esquecimento dos responsáveis da incúria e dos interesses mais criminosos e sórdidos...
  Ser bombeiro, é colocar a vida sobre o débil fio que atravessa a vida! 
  É o combate sem tréguas e sem rosto, a solidariedade infinita que a incompreensão extemporânea e volúvel, injustamente consegue transformar a abnegação em  trivialidade... 
  Ser bombeiro, é arriscar e ser esquecido, porque aqueles que dão a vida pelo próximo, jamais terão o devido lugar na História do país que protegeram, ao contrário daqueles que o queimaram... 
  Jamais serão penalizados os "tubarões", porque esses sabem sempre alimentar-se do peixe mais miúdo! 
  Jamais surgirá quem os enfrente e os combata, porque o medo e o conformismo cresce nas vastas florestas intransponíveis do poder e da corrupção e as palavras sensatas e acusatórias, rapidamente se desmistificam por quem faz do drama o seu reinado!
  Força, Soldados da Paz deste país, chegou a hora de novas lutas e de sermos todos nós a incendiar quem nos incendeia a terra!
    

  

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Falemos de coisas sérias

FALEMOS DE COISAS SÉRIAS!

  Estava eu no final de um texto que  iria agradar a poucos pelo conteúdo e o meu pc reaccionário fez a proeza de o fazer desaparecer sem apelo nem agravo!

 Pois era de coisas sérias que se tratava, mas como é de coisas sérias que gosto de escrever, não será uma máquina mal amanhada que me cortará a "raiz ao pensamento" como diz o outro... 


   E para além de todas as coisas sérias deste mundo, nem todos concordam que falar de Animais é coisa séria, mas é e é também por isso que antes, preciso falar de pessoas e daquela gente que ainda não entendeu o valor e o dever que é ter nascido por cá e ter como lar e sobrevivência, a grande "Mãe Natureza"!


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Ora como esta noite consegui dormir 1 hora a mais do que o normal, acordei de língua ainda mais afiada que de costume, embora  nem sempre me permita exteriorizar esses luxos no momento certo e quando finalmente me sai o "pio", peca quase sempre por tardio...
 Pois nessa horinha a mais que me foi permitido dormir, devo ter sonhado com "Redes Sociais" e com os comentários que leio, os que passo sem ver, os "likes", as diferentes páginas onde entro e que são na sua maioria sobre "Animais" e constatei que há 2 tipos de "amigos dos animais":   
 - Os que sentem que pertencem ao Reino Animal, procurando respeitar todos eles, sem excepções e os amigos dos cães e dos gatos que ao fim de semana farejam as bifanas, os frangos decapitados, os coelhos esfolados em posição fetal dentro das embalagens ou pendurados pelas patas em ganchos, mais os peixes de boca aberta e alguns mariscos ainda vivos, nos supermercados.
  Onde mora a razão ou a autoridade destas pessoas, quando se indignam com os hábitos alimentares  de alguns povos Orientais e os classificam de selvagens? 

  
  Canibalismo é canibalismo!
  Só mudam os condimentos e a vítima dentro da panela, mas mais não digo, porque não vale a pena... 
  As heranças, os hábitos e as tradições, constroem subterfúgios, inventam justificações e calam quem se sente culpado, mas insiste em não se dar ouvidos, nem seguir os seus próprios sentimentos. 
  Luto sem tréguas para conseguir ser tolerante, mas como sou uma observadora e crítica nata, aproveito os meus momentos de reflexão, para relaxar e soltar a língua, talvez porque sempre me estive nas tintas para a sociedade que me obrigaram a integrar!
  Mas deixando para trás o tão polémico tema gastronómico e considerando a "Gula" um pecado mortal, vamos até outro tema que bastante me transtorna e ao qual dou o nome de "Exploração Animal para divertimento" e aí entram os caçadores, "grandes machos" de espingarda em punho que se sentem mais homens, quando exibem os seus trofeus, os amantes de corridas de galgos e cavalos, treinados e explorados para apostas sórdidas, os circos com animais, os zoos, onde os prisioneiros não traduzem de forma alguma os seus normais comportamentos em liberdade e para lá de tantos outros, não podiam faltar as touradas e todos os festejos sádicos onde os pobres touros entram para sofrer até serem mortos e esquartejados. 
  E é aqui que mais uma vez a coisa ferve, porque apesar da gula, afinal não ser assim um pecado tão mortal, também o "amor ao próximo" não o é, segundo as práticas católicas que ultrajam os seus Santos nas romarias e festas com largadas e touradas após as missas e procissões. 
  Claro que eu não venho aqui exigir que o Papa que não é santo nenhum, seja vegetariano, porque essas exigências não me cabem nem a mim, nem a qualquer mortal, mas exigiria sim, a quem habitasse alguma dessas paragens de romaria que o padre confessasse perante todos que é mais filho da mãe que o touro moribundo que possivelmente irá depois servir-lhe de patuscada com os compadres, mas como os seus fiéis são omissos, como já é hábito em sociedades padronizadas ( palavra derivada de padrão, para os menos esclarecidos), continuarão a divertir-se com a tortura alheia e a bater com a mão no peito em "amens"incoerentes, achando que tradição é cultura e que touros e cavalos vieram ao mundo para nos divertir!

  Só me estranha que haja tanta gente que se insurge com estes espectáculos sangrentos e tão poucos a dar a cara. Pergunto mesmo se esses comentadores de "likes" deixariam de ir à praia ou ao Centro Comercial algum dia, para se juntarem a qualquer movimento de protesto, porque na verdade, nem vejo a maioria interessar-se por assinar sequer uma petição ou visitar mais vezes as páginas anti- tourada para se actualizarem e mostrarem o seu apoio, através de um simples mail pré escrito, o que revela bem a indiferença das pessoas perante o sofrimento alheio. Tenho até quase a certeza que muitos desses "amigos likes", conseguem mesmo seguir o espectáculo na TV, enquanto lavam a loiça ou dormem no sofá à espera das "pegas", porque o entendimento é fraco e a RTP já foi pré paga na factura da luz.
  Entretanto, como o pensamento é como o voo das aves, faltava aqui  ainda falar dos passarinhos engaiolados, balanceando-se nos seus poleiros de plástico que só cantam porque Deus não lhes deu lágrimas e de outros pássaros que antes eram símbolos de paz e hoje se tornaram "pragas", como os pombos!
  E porque esta rapsódia sem música de fundo já vai longa, só  quero ainda perguntar a quem de direito, quem terá tido a ideia que os pombos transmitem doenças, porque quando eu era pequena, só éramos contagiados na escola, nos transportes públicos ou mesmo nos hospitais e era até saudável e pedagógico dar-lhes milho nas praças.
 Enfim e como sempre, "mudam-se os tempos e mudam-se as vontades" e como a paz na Terra já é escassa, não precisamos de pombas brancas nem de cor, porque tanto umas como as outras sujam as varandas, os monumentos e os carros mal estacionados em cima dos passeios, por isso, dá-se emprego a exterminadores, acrescentando-se novas "pragas"para encurralar em câmaras de gás, como  noutros tempos, nem por isso tão longínquos assim, foi feito com humanos...  

   


  

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Flores e vítimas


     FLORES  E VÍTIMAS!


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Efémeras e belas, também elas perderão a cor e o viço, tal como as lembranças das vítimas que homenageiam!

Qualquer morte merece flores e qualquer morto, merece deixar as suas pegadas na memória dos que o choraram, mas será que todos eles ganham flores e será que todos eles são chorados?

14 de Julho de 1789 é a data da tomada da Bastilha, a fortaleza- prisão que se tornou símbolo da liberdade do povo francês!


Mas se essa liberdade, igualdade e fraternidade existiu para todos e da qual a Revolução Francesa  fez bandeira, enquanto nas praças as cabeças guilhotinadas rolavam para cestos de vime e os escravos amontoados chegavam de África, obviamente que não acredito, mas o que hoje importa, não são as sombras negras do século XVIII, mas o que hoje se verifica e o que essa tal "bandeira", ainda tão orgulhosamente desfraldada em França, continua a esconder!

  Vejamos então, o que tem acontecido, até ao presente, às ex-colónias francesas que ao contrário de outras, nunca alcançaram uma completa autonomia, porque em quase todos os países africanos ocupados pela França, os movimentos independentistas, foram oprimidos e nada pacíficos, como aconteceu na Argélia, onde se travaram ferozes conflitos com milhares de vitimas dos dois lados, sem vencedores nem vencidos. As elites locais sempre conseguem esquecer anteriores militâncias, aliando-se aos seus antigos "colonos" e garantindo assim indefinidamente o poder, em troca de manipulações, vantagens e jogos de interesses, como a autorização de bases militares francesas no seu território, bem como a exploração das suas riquezas naturais, como acontece, por exemplo, na Costa do Marfim, em relação ao urânio, imprescindível às necessidades energéticas francesas.  
  A França foi o país europeu que mais intervenções fez nas suas ex colónias (mais de 50), o que demonstra bem o seu desejo de domínio e a dificuldade em aceitar as suas derrotas e consequentes perdas económicas.
  Os africanos que procuraram uma vida melhor em França, jamais terão esquecido os seus antecedentes e a descriminação de que foram e ainda são vítimas!
É portanto fácil entender porque se têm verificado atentados em território francês, numa altura em que a extrema direita galopa vertiginosamente e o racismo emerge sem freio, dos escombros nazis, onde antes se acoitava envergonhado.
Para as comunidades imigrantes muçulmanas, vítimas de descriminação e remetidas para bairros assinalados como "perigosos", não terá sido simples digerir as dificuldades de integração de que sempre foram alvos ao longo dos anos. Daí a facilidade com que certos ideais obscuros conseguem singrar facilmente, como resposta a velhos sentimentos de vingança e revolta, por essa falsa "igualdade e fraternidade" que sempre sentiram na pele.



 É evidente que não há justificação possível para a morte de inocentes, mas também não pode haver perdão para intervenções em países independentes, nem para jogos políticos e manobras de bastidores que acabam por alterar equilíbrios locais e transformar descendentes de antigos imigrantes pacíficos, nascidos e criados na Europa, em revoltados assassinos...


A História narrará decerto, não sei se com imparcialidade, todos os acontecimentos deste início de século, onde os conceitos se chocam e as liberdades se perdem...

















domingo, 17 de julho de 2016

LUTAS SEM GLÓRIA!


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LUTAS  SEM

GLÓRIA !





Morrer numa arena, não é uma glória, mas sim o triste fado de animais pacíficos subitamente desenraizados e expostos ao medo e à dor!

  Morrer na arena ou ser depois transportado para a morte, é a consequência da maldade humana. É a acumulação de frustrações e dos mais recônditos impulsos sádicos. 
  É o saborear guloso do sofrimento alheio, sem ter que enfrentar consequências e protegido pelo arcaico nome de "tradição".
  Assistir a um espectáculo, onde seres vivos são expostos, usados e torturados, é a degradação máxima de uma espécie que deveria fazer uso da sua inteligência "superior" para corrigir impulsos e sentimentos primitivos, mas dos quais apenas restam argumentos sem fundamento nem desculpa.
  Para um touro, morrer na arena é o seu destino, mas porque não será esse também o destino do toureiro?
  Se os espectadores marcam presença para ver uma luta, porque será que foi estabelecido, vencer sempre o mesmo?
  Porque será que a morte de um assassino profissional remunerado faz tanta mossa e a do animal, é sempre o corolário espectável da contenda?       
   Ora como as minhas opções gastronómicas, há anos me fizeram avessa a carnes de qualquer espécie, sinto-me confortável para questionar a quem de direito, se a adrenalina e o sofrimento de um animal, o tornará mais saboroso ao paladar, mas também gostaria de saber que espécie de gente que viu a vítima ensanguentada a lutar pela vida, consegue depois saborear os seus restos mortais com prazer? 
   Raio de sociedade doentia a nossa, incapaz dos sentimentos mais básicos, como o de penetrar no lugar da vítima, mesmo por instantes...
   Será que bater com a mão no peito ao domingo, ou marcar passo na procissão, depois da tourada, consegue regenerar o padre que arrecadou com a "fiesta" e os seus devotos fiéis, ou apenas expressa a triste postura de seres humanos acéfalos?

  E por aqui termino, com estas questões sem resposta, tal como tantas outras que não faço, porque sou um ser pacífico, embora inconformado.  

  


quinta-feira, 23 de junho de 2016

A ÚLTIMA OLIMPÍADA!


                                                    






  

           A  ÚLTIMA  OLIMPÍADA 

 Nasceste selvagem, mas não deixaram que o fosses nem sentisses o que é correr na floresta, lutar pela subsistência e achar poiso sobre qualquer árvore para teu repouso!

       Eras pequena, frágil e por isso, presa fácil e mascote útil em exibições de ignorantes...  


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  Foste atracção turística, peça de desfile e tudo menos o felino que nasceste para ser!                                                      
                                              Como   tantos animais,foste usada, explorada e prisioneira sem culpa formada, nem argumentos. 
         Não!  Tu sabias que algures, na sagrada Amazónia, havia outros iguais a ti, mas que ainda conseguiam escapar ao maior de todos os predadores, àquele que dizima índios e árvores, o que devasta cada pedaço que pisa e polui os rios, transformando em mártires quem o desafia, ou com ele se cruza.   
          Tu sabias tudo isso e porque te tornaste adulta, entendeste que o teu mundo não era aquele onde te forçaram viver.                                  
         Quiseste  então provar o gosto da liberdade, ignorando que um tiro certeiro te travaria o passo e que talvez até a tua pele suave e bela, servisse a luxúria de quem te ignorou e lucro fácil aos teus carcereiros...  
      Hoje  corres a tua última olimpíada, içando bem alto a chama da revolta daqueles que lutam a teu lado por um mundo mais justo e livre e para que se rompam todas as correntes nos circos com animais, nos zoos, nas touradas e onde quer que exista um ser aprisionado sem saber o que é ser livre!
         Vai, Juma e faz a tua última corrida de glória sem perderes o fôlego, não para os que te pararam o salto, mas sim para todos aqueles que lutam e militam nas Olimpíadas da Paz!
  
  


   


QUANDO OS POMBOS TOMBAM!


      QUANDO  OS  POMBOS TOMBAM!


SEREMOS NÓS OS DONOS DA TERRA, OU TEREMOS O DIREITO DE DESTRUIR TUDO O QUE NOS CERCA?

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   Ao longo dos séculos, os pombos sempre foram os símbolos da paz, mas o homem é bélico por natureza, precisa afirmar-se, defender os seus mais mesquinhos interesses e impor o seu domínio.
   Quando eu era criança, levavam-me a dar milho aos pombos. Depois, fiz o mesmo com os meus filhos e hoje vejo com revolta que essas aves pacíficas, hoje são consideradas pragas e pior que isso, é saber que são dizimadas aos molhos, como se de lixo se tratassem.
   Sem dúvida que os deuses devem estar loucos,porque permitem tais atrocidades, mas neste século XXI, em que a ciência e a tecnologia nos ensinam tanto, pratica-se a ignóbil caça aos pombos com uma estrutura metálica onde eles entram e já não saem, para morrerem à fome, à sede e ao calor . 
  Parabéns, Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, financiada com dinheiros públicos, mas sem respeito pelos seus humildes pagadores!   
   Já não lhes bastam os touros, agora também é tradição dar morte lenta às aves?
   Oh praga de sociedade a nossa e pragas de autarcas que deviam plantar batatas em vez de arrotar ordens imorais, porque nem sequer tiveram a dignidade ou capacidade de aprender que para que um animal se não reproduza, há formas de o fazer sem torturar e matar !
    País frouxo o nosso, onde não há quem os tenha no sítio para destruir a armadilha e deixar voar os prisioneiros! 
   País frouxo o nosso que vota em incompetentes e depois os critica no facebook! 
   Sinto vergonha deste terceiromundismo, onde infelizmente nasci, mas onde jamais ficarei calada!

sexta-feira, 17 de junho de 2016

A Colonização dos "Descolonizados"





                     A COLONIZAÇÃO DOS  

                        "DESCOLONIZADOS"

    São Tomé e Príncipe é a terra onde a Natureza floresce!

    É também a terra do "Leve leve" e tão leve que em cada canto frutas e legumes nascem espontâneamente para alimentar o seu povo amável e tão pacífico que não aprendeu ainda que para além do que a terra lhes oferece, há um mundo de direitos que lhes são negados.
   A colonização portuguesa foi o embuste religioso que permitiu e enriqueceu alguns, arrancando nativos de outras terras, para os transformar em escravos vendidos e comprados como gado.
   Esta é a mancha negra dos nossos Descobrimentos que os livros de História mascaram e embrulham no piedoso argumento chamado "Evangelização", mas que apenas deixou um rasto de subdesenvolvimento e miséria, em cada colónia ocupada.  
   Foi assim por toda a África colonizada, não só pelos portugueses, mas também por outros países europeus e após a abolição da escravatura, os povos continuaram a ser escravos da falta de preparação que nunca foi conveniente que tivessem, porque continuariam assim dependentes da raça que sempre os dominara.
    Em São Tomé, as roças, ora de café, ora de cacau, conforme as preferências e mercados da altura, eram as grandes empregadoras a custo mínimo, desses descendentes de escravos pouco ou nada escolarizados que apenas sabiam vergar-se ao peso do trabalho duro e às ordens senhoriais, mas os ventos de outras bandas, deram-lhes a independência e os senhores das roças abandonaram-nas, porque acabara o seu poder, bem como o seu direito a terras que jamais lhes haviam pertencido e das quais hoje apenas restam ruínas, para confessar a triste realidade de que os que trabalharam a terra, nunca foram ensinados a administrá-la, restando-lhes apenas a exuberante Natureza e esse mar azul, recheado de peixes, para seu sustento.
    Hoje, como por quase toda a África, os ex colonizados, continuam a ser a mão de obra barata dos novos "colonos" estrangeiros que subtilmente se voltaram a instalar, pouco a pouco...
   O salário médio de um trabalhador em São Tomé, varia entre os 30 e os 50€ mensais, mas se tiver um filho que pretenda frequentar o ensino superior, terá que pagar uma propina igual ao seu salário, o que torna a educação superior inacessível à maioria.
    O grupo hoteleiro português Pestana, instalou-se no país com um hotel na capital, outro na ilha do Príncipe e finalmente um outro, na Ilha das Rolas.
    Este último, preenche grande parte da ilha e cobra a entrada a quem entrar pela "sua praia", para visitar as magníficas paisagens e o marco que assinala a passagem do Equador. A poucos metros do hotel, situa-se a aldeia dos pescadores, onde também habitam alguns funcionários do hotel.
    Escondida numa curva do caminho de terra batida e no arvoredo, a pequena povoação, é composta por barracas degradadas de madeira e chapa, amontoadas no declive do terreno e ao longo de um pequeno carreiro que vai dar ao mar.
     O contraste entre o luxo e a miséria, é flagrante!
     O Grupo Pestana que em Portugal apoia e até subsidia espectáculos tauromáquicos, ocupou e empurrou os habitantes da ilha, sem o devido investimento num saneamento básico adequado e convivendo assim com os esgotos a céu aberto da aldeia, sem o mínimo cuidado em proteger a população vulnerável, bem como os seus hóspedes, do cheiro fétido, mosquitos e doenças que um rio de imundice provoca, paredes meias.
     A minha primeira visita à maravilhosa Ilha das Rolas, deixou-me não só apreensiva, como satisfeita por não me ter hospedado nesse "paraíso hoteleiro", mas no dia seguinte, decidi voltar numa barcaça e entrar pela aldeia, onde não se paga a"portagem"de 6€ e apenas para entender, porque é que os nativos nunca reivindicaram melhores condições.
     Conversei, perguntei e entendi porque é que em São Tomé, as pessoas se contentam e se submetem com tanta facilidade nesse "leve, leve" que a Natureza alimenta e à resignação da promessa de um futuro utópico que não chega e do qual resta apenas a eterna espera do isolamento, o medo das mudanças e o conformismo que a opressiva herança colonialista deixou enraizada no seu povo demasiado pacífico e maravilhoso.