sexta-feira, 9 de novembro de 2018

O POETA ALEGRE


      


      "Ser poeta é ser mais alto"


 

  

 Que dirias tu, Florbela 
Espanca, se tivesses conseguido respirar a aragem da igualdade e da consciencialização que este novo século nos trouxe? 

   Que dirias tu, mulher de sensibilidade à flor da pele, se este século tivesse conseguido dar uns passos atrás para te explicar que o amor ao próximo, pode ter outros focos que não apenas aquele que tu sentiste e pelo qual morreste?

  Que dirias tu, "alma minha gentil que partiste tão cedo desta vida descontente" se soubesses que "ser poeta", nem sempre "é ser mais alto" quando se mistura poesia com violência, ódio e sangue...

  Que dirias tu então, de um artista de fachada que usou a sua habilidade poética para se promover à custa de um povo carente de liberdades, pisado, humilhado e reprimido durante quarenta anos, mas que lhe trouxe honras e subvenções mensais que ultrapassam 8 salários mínimos de qualquer trabalhador esforçado?

  Que dirias tu ainda, se eu te dissesse que a democracia de hoje, é como a de certos poetas, cuja coerência de sentimentos, apenas desacreditam o que um dia foram ou escreveram?

  Felizmente não conheceste o "poeta Alegre", porque se olhasses bem para os 82 Invernos espelhados nessa figura de marialva fora de prazo, bem nutrido de poder e de vantagens, decerto não irias gostar!

   Descansa em paz, amiga, com todos os teus amores impossíveis e aqueles que "amaste só por amar", porque eu prefiro amar as minhas causas, viver por elas e escrever sobre um certo"poeta", cujo sentimento, apenas existe no abdómen de gula, assim como a altivez e a presunção, patentes no olhar baço raiado de sangue e das mortes inúteis que lhe alimentam o espírito devasso e incoerente.

   Há fascistas mascarados de democratas, porque precisam adicionar conteúdos de vanguarda às suas  personalidades tacanhas, mas cuja noção de democracia, só existe para conforto dos seus egos mesquinhos. 

    É assim com este "poeta alegre", ensandecido pela perspectiva de perder o sádico gozo da caça e o espectáculo macabro de nobres herbívoros sangrando em arenas doentiamente legalizadas. 

   É assim que se atraiçoam os valores culturais e civilizacionais de um povo que, ao contrário do que alguns pensam, cresceu, passando a condenar essa violência gratuita, comparticipada e apoiada por um Estado retrógrado e imoral, composto por farsantes e parasitas avessos à evolução ética de um povo que tão tristemente manipulam para seu beneficio.

   Foi a um "poeta" traidor, a quem a idade aguçou a ambição, que assistimos, numa certa campanha eleitoral, feita de verónicas, cavaleiros e pegas de caras que a moral triunfou com uns quantos pares de bandarilhas negras, cravadas sem erro, num certo lombo já flácido! 

  Como deve ser difícil e doloroso perder a pose perante tão cruel derrota...
  Como deve ser difícil dar a mão à palmatória e ter que aceitar que os tempos mudaram, que o "outro"já não é só um "poeta alegre"de copo cheio que viveu de mordomias, mas sim e também, um animal senciente, cuja poesia existe na música ritmada do seu chocalho, enquanto petisca a erva fresca que a Mãe Natureza, tão generosamente lhe entrega ...