segunda-feira, 14 de agosto de 2017





COMPADRIO, CORRUPÇÃO  OU  LEIS  DE ENCHER CHOURIÇOS?


  Em Portugal, só o Zé Povinho é obrigado a cumprir tudo e calar a boca!  


   Em Portugal, quando se denunciam os atropelos de uma entidade pública, nunca se obtém resposta, ou quando a temos, vem do manga de alpaca com um texto que nada diz!


  Em Portugal, as elites são protegidas, subsidiadas e paparicadas!


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   Em  Portugal, mataram a democracia, fizeram-lhe o enterro num ermo à socapa e o povo é tão manso que não reparou ainda que ela foi assassinada.  Mas vamos lá ao que interessa, porque o tempo urge e não estamos mais para o perder...


    Vamos falar de cultura?


     É melhor não, porque isso desenvolve os cérebros, torna as consciências despertas, activa as ideias e isso só convém, quando o povo tem quem o ouça e respeite, o que não é o caso...

    Vamos falar das leis escondidas nas gavetas desarrumadas da Inspecção Geral das Actividades Culturais (IGAC), como por exemplo o RET (Regulamento dos Espectáculos Tauromáquicos) que por sinal, raramente é lido e menos ainda cumprido, porque ao contrário de qualquer actividade artística, propriamente dita que é "vasculhada" e espremida até ao tutano, quando se trata de touros e bêbados, há carta branca para avançar, mesmo que o fiscal esteja de férias, como aconteceu recentemente em Riachos (Torres Novas) onde as inspecções nunca foram necessárias e até "desconhecidas", ou em outras terriolas que poderei mencionar este ano e nos que já passaram. 

    Em Viana do Castelo, contra a Autarquia, contra a vontade do povo e à queima roupa, parece que este ano vai haver tourada!
   

   Não será a 1ª vez que o IGAC fechará os olhos, se é que alguma vez os abre, quando toca aos touros!


   Não será também que uma estrutura sem condições, um matadouro distante e uns animais em sofrimento mais tempo do que o permitido, não merecem a atenção de tão doutas criaturas?
    De facto, falar nos animais, nem vale a pena, porque ao fim e ao cabo, os touros são apenas a carne e o sangue que escorre das feridas que divertiram alguns e perante tamanho gozo, o resto fica só no papel e quem sabe se também nuns trocos e mordomias que alguém ganha para esquecer a lei e dormir de consciência tranquila, porque a incúria lhe assegura o sustento. 

    E por aqui me fico, porque gastar latim com quem se faz surdo, talvez só valha a pena, quando os cravos se transformarem nas bandarilhas cravadas em quem pensa que o povinho continuará eternamente calado, manso e fácil de enganar ...       

      


    

    


         


domingo, 2 de julho de 2017

AS RAÇAS E A MODA

   A aparente desarrumação é o meu forte e digo "aparente" porque à primeira vista, tudo parece em ordem, mas não está. 

   É assim que às vezes encontro no meio da desordem, uma roupa com mais de 10 anos de que já nem me lembrava, mas que voltou a estar no top.
   
   É uma pena que não se possam deixar também os cães numa gaveta durante 10 anos ou mais, para os ir buscar depois, quando a sua raça volta a estar na berra para os exibir aos vizinhos e brilhar na rua.   
  Os amigos dos animais são cada vez mais numerosos, mas será que muitos deles estão só interessados no topo de gama que o pedigree de um cão lhes confere, ou no animal em si ?

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  Quando eu era pequena, diziam que eu tinha um certo pedigree a preservar, mas quando cresci preferi ser rafeira, porque a rafeirice é a marca de quem tem cérebro e o pedigree dos humanos, apenas vale para quem se encosta a ele como alimento preferido das suas futilidades. Logo, eu sou uma humana sem raça definida que prefere o canil municipal a ser adoptada, porque a rafeirice me permite refilar quando quero e quando as coisas não me agradam. 
  Pertenço portanto a uma raça de rafeiros que o tempo e as patadas da vida ensinaram a virar o dente e deixar orgulhosamente a marca!  
    
  E se me quiserem abater, darei luta, porque sempre dei e não será agora que desisto!

  Mas toda esta analogia canina, veio a propósito de certos parasitas que nem com Frontline lá vão e como gosto de cães, sejam eles de que feitio forem, não suporto certos personagens que se rebolam com os seus "lulus" da moda, nas ridículas exposições caninas onde se sentem em família, ou nas tertúlias ocas e nos chazinhos "beneficentes", mas que os rejeitam quando eles deixam de ser o que eram.

   De qualquer forma, não era apenas para falar de cães que aqui vim, mas também de outras "modas" que apesar de antigas, continuam actuais e a que mais me irrita, é sem dúvida a incoerência mascarada de imaculada candura de quem veste peles no Inverno e se embala de noite com penas.


   Sem dúvida que a moda já não é o que era, porque a crise roeu as unhas da "finesse", mas acaso não terá também roído por aí alguns cérebros que acham que couro não veio de bicho, ou que usar os despojos dos pedaços que comem não faz mal a ninguém? 
   Na verdade, há bichos que nasceram para não serem considerados nada nem ninguém, já que nem a lei dos cães lhes vale porque não miam nem ladram, mas por essa ordem de ideias, também há gente que não é nada, porque os seus lapsos de inteligência são tão frequentes que acabam por se tornar permanentes.  

   E a todos os que se dizem "amigos dos animais", deixo aqui um aviso:
  Cuidado comigo, porque estou de olho e desmonto qualquer trapaça desses cérebros congelados que levam o cãozinho à rua e olham ao redor para que ninguém veja o presente no passeio que não apanharam. 
   Mas como ter cão e gato os torna "Animalistas compassivos", perante uma sociedade hipócrita de "ternuras", por aqui me fico, sem contudo me calar, porque neste mundo de farsantes, prefiro os bichos, mas sobretudo aqueles que mordem...  

 
    

sábado, 1 de julho de 2017

BENAVENTE, TERRA SEM LEI

                                                                            Resultado de imagem para touros de fogo

 

        








         COMO A  CIDADANIA  OBRIGA A QUE NÃO SE DEIXE NADA ESQUECIDO, VOLTEI A                        INSISTIR  AGORA PARA O SÍTIO CERTO.


              Benavente - Pedido de intervenção


   para Grupo, gp_pcp, carlos.coutinho
  Grupo Parlamentar do PCP
  Grupo Parlamentar do PEV

          Excelências:


    A imagem de civilidade que um país deve dar ao mundo, para que por ele possa ser valorizado, é o modo como evolui, rejeitando obsoletas "tradições" e mergulhando na verdadeira cultura, educação e ensinando ao seu povo os valores pelos quais se deve reger com dignidade.
   Mudaram os tempos e as mentalidades de largas fasquias da nossa sociedade, mas não mudaram os seus governantes nem a coragem de dizer basta a práticas selvagens que apenas humilham comunidades
 inteiras e as tornam reféns do eterno "encolher de ombros", perante a impunidade, os tropeços, os desmandos e o compadrio, geralmente verificados em certos locais mais interiores e onde o medo padroniza as suas gentes na fraqueza e na inércia tão convenientes a quem deseja impor-se.


   Errar é humano, mas errar achando que um cargo público lhe permite a impunidade, é imoral!


    Subir ao pedestal da omnipotência, apoiado por partidos políticos como o PCP e os PEV que se consideram defensores da verdade, para mentir e depois se enroscar atrás de "bodes expiatórios" para se defender, jamais poderá ser de quem superintende uma região e os seus munícipes, por isso, exigimos, tanto eu, como os milhares que se têm manifestado, mão pesada para o Presidente da Câmara Municipal de Benavente que não soube nem quis cumprir a lei do país que o sustenta, quando garantiu que não iriam haver ilegalidades na Festa da Amizade e depois as permitiu.

     Permitir, é sem sombra de dúvida, saber que decorre o que não foi permitido e fingir que não sabe, para vir depois mascarar os factos, com argumentos feitos à pressa e sem nexo.
   O que se vê claramente nos vídeos, é um bovino amarrado contra um poste e um grupo de homens colocando fogo nas suas hastes, enquanto outro o tenta subjugar, puxando-lhe a cauda.
   Puxar a cauda, neste caso, a um bovino, assemelha-se a arrancar os cabelos a um humano com força, com a diferença de que a parte traseira do animal é composta por pequenos ossos que finalizam a coluna vertebral e que por serem frágeis, podem facilmente fracturar, causando fortes dores.
  Também isto pode suceder durante as "pegas" nas touradas, mas que se pretendem julgar inofensivas e actos de valentia sobre um animal já sangrando e em profunda agonia.

  É completamente indiferente o nome, ou o artefacto que foi usado para colocar fogo nas hastes do touro em Benavente, porque qualquer animal sente pavor e entra em stress perante o fogo, sobretudo se não tiver como fugir dele, tal como nos acontece a nós e tão recentemente, na tragédia que tanto nos abala.


    Os "touros de fogo", são portanto de uma barbaridade extrema, impróprios de seres humanos psicologicamente bem formados e não fazem parte nem das nossas "tradições", nem estão abrangidos pela legislação tauromáquica em vigor, o que os torna portanto ilegais.
   Um presidente de Câmara que consente tais actos, não pode portanto exercer um cargo público que não sabe respeitar e menos ainda prestigiar.

   O mesmo se aplica à Guarda Nacional Republicana, na pessoa do seu Comandante que não soube cumprir as funções que lhe competem, impondo a lei, como seria de esperar e enviando os seus militares para o recinto não como os meros espectadores que foram, mas sim como a força de ordem que deve ser, perante um crime.

   Compete portanto à CDU convidar o sr Presidente da Câmara Municipal de Benavente a demitir-se e excluí-lo de participar em qualquer lista para as próximas eleições autárquicas, em sinal de respeito pelos milhares de cidadãos indignados que têm vindo a manifestar a sua repulsa pelo sucedido, bem como pela coligação partidária que representa.

   Depois de toda a polémica e das centenas ou mesmo milhares de emails enviados para a Câmara de Benavente, acusando igualmente a ilegalidade das "Picarias", nem o Sr. Presidente, nem a GNR impediram tal evento, o que expressa o silêncio e a inoperância da CDU, após o escândalo e o desacato à Lei de um seu autarca.
   Como parece que o facto de se terem autorizado as "Picarias" e o Sr Presidente também não ter cumprido a Lei, decidi explicar a V Exªs, com ajuda de uma informação gentilmente fornecida por quem sabe e que passo a citar:

"A sorte de varas é uma das "partes" (a primeira) das corridas de touros em Espanha e o argumento é que serve para que touro baixe mais a cabeça a partir daí.

 Esta sorte é proibida em Portugal!

    As varas utilizadas na "sorte de varas" (que se faz actualmente em Espanha, mas que está proibida em Portugal) são parecidas (muitas vezes talvez até iguais) com as que se utilizam nas "picarias à vara larga" (o que se realizou em Benavente foi uma picaria à vara larga).
    A maneira como se espetam nos animais é parecida (embora na sorte de varas o cavalo esteja de olhos vendados, etc.). Por isso, quando o email tipo sugerido pela Associação Animal diz que, citamos, "Em termos de prática tauromáquica, equipara-se à sorte de varas", esta afirmação faz todo o sentido
(pela semelhança das varas e da forma de picar, por o "picador" estar em ambos os casos em cima de um cavalo, e até também por ambas as práticas serem feitas na presença de público)".


    Acrescento mais uma vez que estas práticas de tortura, já que as lanças penetram na carne do animal cercado, em pânico e os cavalos sujeitos a enorme stress e muitas vezes feridos, não figuram na nossa legislação tauromáquica nem foram abrangidas por qualquer regime de excepção e para que fique bem claro:


   Não foram só os "touros de fogo" que integraram as ilegalidades consentidas pelas autoridades de Benavente e como tal, terão que haver punições exemplares, como é obrigatório num Estado de Direito, para que nunca mais se venham a verificar estes actos e a opinião pública possa confiar na justiça.


   Contamos portanto com o PCP e o PEV, desde já nesse sentido, no que diz respeito à autarquia, para que possam ser partes integrantes da ética e do bom nome que desejam ter.



domingo, 18 de junho de 2017

PORTUGAL ESQUECIDO




   A irritação é algo que há muito me ataca perante as tropelias que vejo neste meu país.

   Mais de 60 pessoas morreram, outras lutam pela vida e mais de uma centena perdeu os seus lares.


Resultado de imagem para incendios florestais    O presidente vai dando abraços e mais uma achega à sua próxima campanha de "afectos", o governo explica o inexplicável, culpando os raios, o vento, o São Pedro e até talvez os velhos das reformas miseráveis que já só dão prejuízo ao Serviço Nacional de Saúde, enquanto as finanças vão sacando o IVA às chamadas solidárias, das quais ignoramos o rumo do maior bolo. 


    Botam também palavra as Misericórdias para mais pedincha, enquanto as suas dúbias receitas parecem ser insuficientes para tudo, menos para os amigos, como aconteceu na Madeira o ano passado e nos anteriores por cá, onde as promessas pouco se cumpriram. 


   Mandam-se os psicólogos para mostrar que os temos e que são tão bons que só com duas palavras acabam logo com os traumas, porque pobre não pode dar-se a luxos e se teimarem, será responsabilidade de quem os tem e a farmácia trata do resto, porque a indústria farmacêutica também precisa. 
   

   Estou com vómitos!


   Ardeu o decoro, a vergonha e como sempre, sobrevive a irresponsabilidade, a imputabilidade e as justificações pouco convincentes.


   Os estudos sobre a protecção e preservação das nossas florestas apodrecem nas gavetas de um qualquer ministério há anos e através dos vários governos culposos que escaparam impunes, tal como acontecerá com a actual ministra da Administração Interna, cuja incompetência pensou conseguir disfarçar, empertigando-se na primeira fila da tragédia, para o boneco das televisões vendidas.  


     Bravo, o país das bananas conseguiu enfim virar manchete no mundo, à custa da desgraça alheia!   

  

   Venham os peditórios, as missas e as cerimónias fúnebres!

  Venham as promessas e boas intenções já com barbas, porque também elas se escoarão com as primeiras chuvadas de Outono pelas valetas sujas das estradas, até às sarjetas entupidas das nossas cidades alagadas.

  Venham as eleições autárquicas e a manipulação das gentes, porque até lá, as vítimas continuarão vítimas à mercê de quem se esqueceu já dos seus nomes e dos seus rostos...

  Venham as estatísticas dos mortos que apenas permanecerão na memória de quem os chora, porque o terror por que passaram, ficou apenas pelos números das suas campas, num qualquer cemitério ventoso. 


   E quando regressar de novo o calor, neste país cada vez mais pobre e nu, comemorar-se-á o dia das florestas e lá estarão com um sorriso nos dentes, os nossos políticos sem vergonha plantando uma árvore moribunda que ninguém irá regar, para que os meninos das escolas apreendam como a hipocrisia e a desfaçatez conseguem sustentar a incompetência e os interesses institucionalizados! 
   
  
    

quarta-feira, 3 de maio de 2017

CUIDADO COM OS CÃES PERIGOSOS!



    A preocupação generalizada com os ataques de alguns cães, sugere que se acrescente uma outra raça menos pura à lista dos "potencialmente perigosos". 


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     Concordo plenamente que tal aconteça e que tais seres menos sencientes ou sensíveis, conforme se queiram chamar, passem a ser alvo de apertada vigilância.

    Ora como apareceu recentemente o alegórico presumível resultado de uma "queca" mal dada entre um Pitt Bull e um Buldog Francês, a comentar o que não sabe na nossa tv, mas cujo aspecto facial canino não reflecte de todo a linhagem e a nobreza dos seus eventuais e reais progenitores, parece-me imprescindível o seu afastamento, já que ele constitui um perigo para a opinião pública, tornando-se necessária a colocação do letreiro "proibida a entrada a certas mutações" à porta de qualquer órgão de comunicação social onde estes seres possam "botar faladura", visto não terem nem sabedoria, nem formação para tal.

   Há "coisas" que a nova lei alterou recentemente e embora essas tais "coisas" continuem a ter "dono"e a serem tratadas como "coisas", há outras que não me parecem dignas de atenção, necessitando urgentemente da adequada fiscalização, porque se as longas injecções de publicidade no meio de cada programa televisivo servem para pagar as intervenções patéticas de certos personagens, sugiro que façam como eu e desliguem o televisor, porque tenho boas leituras para fazer e que não foram escritas por sapiências esquizofrénicas e sem conhecimento de causa.   

     

segunda-feira, 1 de maio de 2017

CARTA AO MINISTRO DA AGRICULTURA



Exmo Sr. Ministro da Agricultura:

  É com profunda preocupação que constato alguns défices de comunicação, no Ministério a que V. Exª preside! 

   Como cidadã atenta ao que se passa no meu país, concordando umas vezes e discordando muitas outras, é minha obrigação alertar os meus governantes daquilo que por vezes a minha condição plebeia me permite. 

   Ora como de agricultura só tenho meia dúzia de nabiças no quintal para consumo próprio que os meus cães pisaram e por isso, não as declarei no meu IRS, não sei se alguém do ministério de V. Exª, não andará por aí a apostar à socapa nas corridas de galgos que são publicitadas pelas Câmaras e Juntas de Freguesia do nosso país, bem como das inúmeras associações de "galgueiros" que muito devem esconder e que possivelmente funcionam até à margem da lei, através de subterfúgios e compadres. 

  Digo "possivelmente", porque pelo que constatei, o Ministério da Agricultura declarou algures que não tinha conhecimento de tais eventos, o que me espanta, porque na inauguração de algumas feiras agrícolas onde altos representantes do Ministério da Agricultura estiveram, esses eventos eram publicitados no respectivo programa e também porque algumas pistas de corrida, pelo país fora, foram mesmo construídas com dinheiros públicos, com o óbvio conhecimento do Tribunal de Contas, enquanto há ainda  escolas com amianto e outras a precisarem de obras, por falta de verbas. 

   Como a nova lei que entrou em vigor a 1 de Maio, sobre a "senciência" dos animais, é sobretudo vocacionada para os de companhia (cães e gatos), venho perguntar a V. Exª se os cães envolvidos nestas práticas não merecem o mesmo tratamento dos que andam na rua à trela e se os treinos a que são sujeitos não serão dignos de atenção.

   Venho ainda confessar a V. Exª que prefiro ler a revista Visão, do que a "Caras" ou a "Maria", assim como procuro informar-me por outras vias, o que faz de mim uma pessoa a par do que por aí se fala e ignorante quanto aos mexericos das chamadas "figuras públicas". 

    E por aqui me fico, já que a escrita é para mim como o alimento que me sustenta e se um dos livros que escrevi esgotou, o próximo, onde falo também, além de outras coisas, destas permissivas corridas, venderá em breve muito mais, porque os portugueses já não estão mais como aqueles cães que ladram muito, mas não mordem... 

Atenciosamente, 

     

 

sábado, 29 de abril de 2017

CÃES PERIGOSOS?


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    Alguém me sabe explicar o que é uma "raça potencialmente perigosa"?

     Se não sabem, eu também não!


   Sei, no entanto que tenho várias cicatrizes, feitas por alguns cães que acolhi e que não sendo considerados de "raça potencialmente perigosa", a insensatez de quem os criou, tornou-os violentos.

 

   Todos eles foram tirados da rua. 


   Todos eles conheceram o lado mais cruel da espécie humana.
   Todos eles precisaram de tempo para confiar e nem todos eram de grande porte, ou considerados "perigosos". 


    Nem todos tinham raça definida, mas todos se integraram na minha família. 

   Não preciso mostrar valentia, nem ter um guarda-costas, apenas necessito que me entendam os silêncios, as alegrias e me confortem as mágoas, como tento curar as deles.
    
   Preciso também que o tempo deixe de ser para eles esse tempo de agressões e castigos e os faça entender que chegou a hora do amor.

   Um cão treina-se com o carinho do dia a dia.

   Treina-se com afagos e nunca com o chicote.

   Treina-se de olhos nos olhos e com o aconchego nas noites frias.

    Treina-se com recompensas, sem gestos bruscos nem gritos, sobretudo quando nos chegam adultos estigmatizados pela vida, ou marcados por lares que não foram para eles os seus.

    Que os seus "repentes" não nos façam nunca desistir,  porque isso é perder a fé na nossa capacidade de amar o próximo.

   Desistir de um ser a quem o medo fez perder a confiança, é duvidar da nossa força interior para mudar o rumo das coisas, mas se alguém acha que um animal que nos ataca precisa de ser perdoado, engana-se, porque foi a nossa espécie que errou com ele e será ela a necessitar do seu perdão!  

     As minhas cicatrizes são apenas memórias de orgulhosas conquistas e cada uma, conta a história de uma vida.

    Cada uma, encerra a saudade dos que já partiram, mas também a transformação daquele que ainda hoje me acompanha, enroscado todas as noites aos pés da minha cama e cuja agressividade morreu, com o equilíbrio que a paz lhe trouxe.

    Conhecer os animais que nos acompanham, é estar atento às suas frustrações, aos ciúmes e à personalidade de cada um deles.

    Conhecer os nossos companheiros, é sobretudo não os usar, não exigir que sejam perfeitos, nem os expor a desnecessário stress, porque conviver com eles, é apenas ser parceiro e jamais seu "dono"!