domingo, 20 de dezembro de 2020

O CABRITA E O SENHOR DA COMPOTA

    Foi com bastante preocupação que ouvi o ainda Ministro Cabrita confessar humildemente que pode ter cometido erros!

   Na verdade, quem nunca errou que atire a 1ª pedra, só que neste caso, se por cada erro, se atirasse uma pedra, a nossa bela calçada portuguesa, ficaria mortalmente "careca"!

  Falar deste esboço de ministro, já não vale a pena, porque quase tudo já foi dito, mas enquanto eu o definia como um ícone moribundo, eis que a voz se lhe levanta num estrebuchar de crítica, qual ressuscitado ofendido, contra a ideia de remodelação do SEF, proposta ao Presidente da República, por um simples "operacional" que por sinal, calhou ser dirigente da PSP e não um político batido e intocável, como Sr. Cabrita. 

   Além deste episódio desconcertante, eis que nos surge a notícia da demissão do médico legista que denunciou o crime, após a autópsia que realizou ao cadáver do cidadão ucraniano e que gerou o escândalo em curso que compromete o ministro. 

   Embora a demissão do referido médico, não esteja ligada ao referido crime, conforme noticiado, a data e a oportunidade deste afastamento, precisamente no final de Novembro, traz em si um sinistro odor a vingança, deixando muitas dúvidas que talvez nunca sejam esclarecidas. 

   Enfim, deixemos o Cabrita "y sus muchachos", passarem um Natal abençoado e falemos de outra pessoa, não menos fulcral na defesa deste país contra a pandemia e que recentemente surgiu nas nossas televisões, como um D. Sebastião em dia de nevoeiro!



   Rui Portugal, é sem dúvida o herói incontestado da DGS, sigla que aliás nos faz soar campainhas salazarentas, mas que me parecem mais chegadas à "geringonça" dos Açores. O Subdirector de saúde, surgiu nas nossas vidas como um Messias com a palavra certa e imprescindível, durante uma quadra cristã, com um vírus de  perigosas mutações, aconselhando à população "visitas rápidas no quintal de uns e de outros, ou no patamar das escadas do prédio de um ou de outro, com a troca simbólica de uma compota que um fez, ou algo de aprazível no contacto humano, ou contacto de proximidade, mas com o devido distanciamento físico"!

   Foram sem dúvida palavras úteis e de extrema sabedoria, mas ficámos sem saber se a compota deverá ser feita em álcool gel, por segurança, ou como é que se fazem essas coisas aprazíveis, sem contacto humano e à distância.

   Até aqui e apesar das dúvidas expostas, concordo com o senhor, até porque a sua nobre imagem, me fez lembrar o meu avô materno que não cheguei a conhecer, mas cuja foto me mostravam, quando eu não queria comer a sopa. 

    Presumo que o Sr. Subdirector tenha a competência que o cargo exige nesta pandemia do século XXI, porque a nobreza da sua postura e os seus fartos bigodes brancos, remetem-me a imagens de 1918, quando a pandemia era espanhola e os tratamentos eram ventosas e sanguessugas.

     De qualquer forma, o aviso sobre "a utilização moderada e racional de substâncias que possam trazer maiores afectividades...", foi útil, porque pelo menos, a elegância com que as pessoas foram avisadas para não apanharem nesta quadra umas valentes tosgas, é sem dúvida a mensagem de alguém, cujo sangue é azul e não vermelho, como o de qualquer pindérico agarrado à pinga.

    É sem dúvida de notar como estamos bem entregues e como dizia o Tiririca, com esta gente, pior não fica!