quarta-feira, 13 de março de 2019

ÉTICA E AUDIÊNCIAS

   


    Sempre achei que os cravos de uma certa "revolução" serviram de pouco, porque continuou a desigualdade, a injustiça, a corrupção e a propositada cegueira de um Estado que prega valores atraiçoando-os despudoradamente a cada passo...



 






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   Por mais triste que seja, esta é a sina que nos resta por sermos obedientes, comodistas, inseguros e nada exigentes, quanto ao efectivo crescimento  intelectual e vanguardista que o passar dos tempos continuamente nos exigem.


   Em Portugal, a mulher comum, continua a ser o objecto negociável, traída nos seus direitos e dignidade, escrava de trabalho árduo mal pago e mola essencial à construção de uma economia que apesar de anémica, continua enriquecendo alguns, mas passando sucessivamente ao lado de quem dá o seu suor pelo pão de cada dia. 


    A cultura, a informação, o raciocínio e a acção, são as maiores ameaças para certas sociedades arcaicas que ainda fazem questão de dominar  através de falsas retóricas moralistas, ou até religiosas, com a adequada conivência dos midia, cuja disfarçada manipulação, é a arma inequívoca e fundamental para tais projectos de controlo e supremacia  machistas. 


    Não é portanto de admirar que após a explosão das contestações no dia da Mulher, tivessem surgido logo, certos programas abjectos nos dois canais mais populares da nossa televisão que infestam, desacreditam e violam as mais justas reivindicações exigidas por quem lutou e se manifestou por todo o país, insurgindo-se contra uma justiça bolorenta que não responde, nem protege quem por ela implora. 


   As palavras e as tímidas presenças dos nossos governantes em certos eventos em prol da igualdade de género, são apenas mais uma das comédias tão politicamente correctas que apenas revelam o estado de abandono a que este povo tem sido votado ao longo dos anos, mas também a ignorância e a falta de interesse que nos torna vítimas e culpadas/os da nossa pacatez e do estado de dormência em que nos deixámos afundar.


    Constata-se assim que estes programas   indignos e ofensivos à dignidade feminina, não passam de manobras reaccionárias de suja humilhação, propositadamente lançados após o mais aguerrido 8 de Março que recordo em Portugal e que teve como rastilho as declarações homofóbicas de um juiz e a morte de 13 mulheres em pouco mais de dois meses.  



  Que tipo de gente se presta a estas actuações públicas, divertindo quem, inconscientemente ou por simples ignorância, contribui para os colocar no topo das audiências?



  Que tipo de comunicação social e de Entidade Reguladora  é esta que permitem que se arraste em praça pública a dignidade de quem não a tem, mas cujo evidente atraso cognitivo é assim  explorado e tão engenhosamente exposto?


   Quem são estes "machos" bouçais de trazer por casa que escolhem fêmeas como quem apalpa fruta no mercado e que mulheres são estas que se prestam a tão vergonhoso papel?




   Acaso as suas vaginas famintas passaram a comandar os seus cérebros ocos, ou acharão que por aparecerem no "boneco", se tornarão heróis e heroínas, cuja fama se perpetuará em revistas de wc? 



   Nascer mulher, é o privilégio de ser mãe, de educar o mundo com a nossa pegada firme,  transpondo os obstáculos com um sorriso, mesmo quando o caminho é árduo e incerto, mas sem nunca baixar a bandeira da dignidade e da força! 

    Jamais a obediência nos deverá derrubar, nem o pranto servir de desculpa ao enxovalho, apatia e resignação, porque ser mulher, é a determinação e o vigor que irrompem das nossas fragilidades, para que possamos seguir em frente com  respeito por nós próprias, a auto estima sem mossa, a consciência limpa e o orgulho de ser quem somos!



   

    


 
    

   

   

      

   




      

segunda-feira, 4 de março de 2019

FEMINISMO E IGUALDADE

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Tenho uma certa dificuldade em definir a palavra "feminismo", porque me parece    limitar-se apenas à defesa de um sexo, em detrimento do outro, contudo, a enorme desigualdade e descriminação que ao longo dos séculos, tem rotulado as mulheres de todo o mundo, como seres sem alma nem direitos, usadas e abusadas por ideologias retrógradas, imorais e injustas, talvez me façam unir forças a essas hostes "feministas", defendendo aquelas cuja voz calaram pela violência e o medo, obrigando-as apenas a subsistir num mar revolto de ameaças, dores e morte.


      As agressões físicas e as marcas por elas causadas, são o  que melhor denunciam o percurso de uma relação familiar ou amorosa, mas embora as cicatrizes persistam, mesmo que a memória as teime ressuscitar, em momentos do passado, ou ainda presentes, há um outro sofrimento mudo e latente, como uma braseira de fogo lento abanada por palavras cruéis e destruidoras que minam diariamente os alicerces de egos já de si frágeis e vulneráveis, decompondo e anulando sonhos, projectos e esperanças, num labirinto de sentimentos sem dia nem noite que culminam num fosso profundo e permanente, aligeirado por antidepressivos e químicos que apenas permitem dias iguais e noites em claro...


    A manipulação psicológica, é a mais difícil de definir e até entender, porque humilha, trai e engana, reduzindo a pó a lúcida percepção das realidades, da auto estima e do respeito, numa espiral de dúvidas e total anulação do ser.

   A violência psicológica é surda, sorrateira e perversa, porque domina e destrói lentamente, transformando seres lúcidos e inteligentes em marionetas movidas por fios invisíveis que dificilmente se quebram, mas cujas lembranças se vão enrolando num papel tão fino que rasga ao mais ténue estremeço. 


   A resignação é o que sobra a quem não quer, não pode, ou não consegue virar o jogo, mas que se enfrenta sem atenuantes nem medo, entendendo finalmente  que a sua anulação matou o amor, a cumplicidade e o seu próprio futuro. 


     Em Portugal, a violência doméstica, foi finalmente reconhecida, desmascarada e exposta, mas ela corre nas veias dos "marialvas" que usam a mulher como um objecto imprescindível ao seu conforto, heróica parideira sempre disponível aos seus desejos e trabalhadora sempre submissa e incansável . 


     O Estado sempre se alheou aos dramas de uma sociedade que deveria proteger, porque a economia precisa de mão de obra barata, ao mesmo tempo que a protecção das agredidas dá despesa e abre os olhos às que se querem caladas, mas os tempos são de mudança, embora os guetos de ignorância teimem subsistir e se alimentem de um faz de conta abjecto que pouco já cola aos mais esclarecidos.


      Não podem haver segundas chances para quem maltrata e se a justiça falha, como tão bem sabemos, faça-se a justiça na rua, no voto, no dia a dia e sempre, porque nem a Bíblia, nem qualquer juiz farsante, nos poderão mais calar. 


     Eu lutei sozinha, quando era normal ser-se submissa e venci!

             

     


    


            



                                                                                                                                                   


domingo, 27 de janeiro de 2019

RACISMO?

          Em Portugal ninguém é racista!


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    A descriminação é de tal maneira rara que ninguém diria que fomos um país colonialista.       
   Os portugueses não distinguem cores nem credos, mas quem cá chega de outras bandas, bolsos vazios e de outra cor, recebe um "visto gold" para uma mansão de luxo forrada de plástico e chapas de zinco em qualquer gueto imundo de esgotos a céu aberto, até ao fim dos seus dias...
   Difícil será não ser explorado e mais ainda integrar-se numa sociedade que lhes coloca de imediato o rótulo de qualquer coisa serviçal ou nada lisonjeira, mesmo que a maior parte deles, apenas traga em mente a vã ilusão de uma vida pacífica, num país  melhor.
   
   O racismo é o vírus que muitos escondem, usando argumentos, deturpações e pontuais experiências daquilo que um dia presenciaram, ou simplesmente ouviram falar. 

  Há quem se vanglorie por não ser racista, mas não aceita sequer a hipótese de um dia poder vir a ter um neto mulato, ou reconhecer um filho negro, fruto de qualquer devaneio leviano e ocasional. 
  Há ainda quem não tenha ainda entendido que independentemente da cor da pele, ou da religião que professam, muitos já aqui nasceram, ou vivem e por isso, também têm direito ao protesto, já que directamente, ou não, contribuem como qualquer branco, para os avanços e retrocessos deste país.
   O racismo, mais direccionado para certas etnias e comunidades pouco instruídas, não deixa de ser igualmente alargado às classes sociais caucasianas mais desfavorecidas, mas se uns são aceites e até vistos de forma mais condescendente e por vezes  compassiva, aos outros, por diferença cromática, já se colocam ressalvas e até se sugere que voltem para as suas terras, mesmo que esta  aqui, seja mesmo a sua...

   Senti na pele o racismo, numa noite, quando regressava a casa das aulas em Bissau, onde fiz cooperação durante 2 anos.
  Fui abordada por um pequeno grupo de jovens que me chamaram "tuga", perseguindo-me e mandando-me insistentemente voltar para a minha terra.  
  A Guiné Bissau, já então independente, foi o meu primeiro passo em África e foi  com isso que os confrontei. 
  Falei-lhes de opressão, de igualdade e do nosso colonialismo, mas sobretudo da educação que foi o que lá me levou. 
   Falei-lhes também do meu país e de como tinha sido difícil cá viver e compreenderam que afinal a nossa diferença resumia-se a nada, embora esse nada, se resumisse a um simples tom de pele, mas  que me permitiu as oportunidades que eles nunca tiveram e que hoje verifico que nem os cravos de uma revolução, lhes conseguiu ainda dar.,. 
    Depois dessa noite, passei a ter companhia para casa com longas conversas que me permitem hoje dizer, com toda a certeza que não é o "hábito que faz o monge", ou melhor, não é a cor que nos diferencia, mas sim esse preconceito abjecto que nos afasta.

   Por incrível que pareça, não foi nem a cor, nem a pele branca que me fizeram regressar em pranto a esta que, apesar de ser a minha terra, sempre me fez sentir estrangeira, mas sim algo devastador que não escolhe raças nem credos e que dá pelo nome de Malária! 
   
   O racismo é um vírus que percorre o mundo e a falta de consciencialização das sociedades durante séculos de obscurantismo que persiste, mais ou menos explícito, mas que dificilmente se regenerá dessa injusta e aberrante maleita. 

   Para quê condenar ou defender forças policiais que agem munidos de escudos e armas, contra gente com ressentimentos antigos que expressam a revolta à marginalidade de que sempre foram vítimas, com pedras, contra bastões e balas de borracha?

   Não estarão também esses profissionais de farda, formatados por um sistema obscuro tão politicamente correcto que não admite que negros se manifestem, em terra de brancos?

    Que tipo de cultura, formação, oportunidades ou ambiente se tem dado às comunidades jovens negras, nascidas e criadas em Portugal?

   "Poucachinho", digo eu que trabalhei alguns anos em turmas de currículos alternativos,  frequentados na sua maioria por jovens negros. 
   Algum desses meus ex alunos conseguiram pelo menos concluir o 12º ano? 
    Não, porque era preciso entrar no mercado de trabalho depressa para que um salário miserável, os sustentasse e à família, nos bairros lamacentos e degradados onde vivem, mas também porque a escola, onde cedo enfrentaram as desigualdades, era de todos, menos deles...

    Disseram-me uma vez que sou branca por fora e negra por dentro e acredito que assim seja.
   Nasci numa família pouco harmoniosa, mas que se intitulava anti racista, embora hoje me aperceba que partiram deste mundo sem saberem que toda a vida partilharam uma ilusão desempoeirada, útil e oportuna, mas falsa nas práticas e lapsos do dia a dia... 

   O retrocesso verificado nos nossos tempos, é fruto de mentalidades tacanhas, egoístas e de um nacionalismo ridículo que não pode ser aceitável num mundo em convulsão em que as contradições, desigualdades sociais e económicas grassam de forma selvagem e imoral.   

  Somos apenas grãos de areia nas vastas dunas de um planeta que destruímos a cada passo, sem  enxergar que o mundo é de todos e que nem os muros, ou fronteiras que teimamos construir, ruirão com estrondo, perante qualquer sismo, convulsão ideológica, ou ordem universal...      

      
    

    

    
   

    

    
  
   

    

         

            
    

sábado, 29 de dezembro de 2018

SUZI

   A Suzi foi mais um exemplo da indiferença, da maldade e do desrespeito pela vida alheia que tão bem caracterizam a espécie humana.


A imagem pode conter: cão

   Apareceu na minha rua, magra, triste, desorientada e faminta em meados de 2012 e só por milagre não foi atropelada.


  Tinha sido entregue a uma idosa com Alzheimer, tão esquecida e abandonada quanto ela e apenas uns brasileiros que habitavam um anexo ali perto, lhe atiravam de vez em quando alguns restos de comida.

   Durante vários dias, tentei ganhar a sua confiança, mas a sua  agressividade era de tal forma evidente que me fazia desistir, até ao dia em que a fome a fez entrar no meu quintal, atrás de um prato de comida e fechei o portão, assim que a vi cá dentro. 

    Era quase impossível fazer-lhe uma festa, mas deu-se bem com os meus cães e isso foi a razão pela qual, achei que talvez com o tempo, ela viesse a confiar em mim e abandonasse aquele olhar triste que o tempo nunca mudou. 

    Mandei-a esterilizar, mas verificámos surpreendidos que após o corte, ela já não tinha órgãos reprodutores e que a cicatriz da anterior cirurgia, era de tal forma imperceptível que não foi sequer notada na hora de a abrirem de novo. 

    Adensava-se o mistério!

    Como e de onde teria vindo a Suzi e qual a razão de tanto medo?  

   Passaram-se alguns meses, até que alguém me contactou, mostrando-me um apelo com uma fotografia da Suzi no "Encontra-me". 


   Afinal havia um tutor preocupado que a procurava e talvez fosse essa a razão pela qual, ela me aceitava com tanta desconfiança!

  Respondi ao apelo, mas novamente a resposta foi insólita. 

  Quem colocou o anuncio, não foi nenhum tutor, mas sim a associação que entregara a Suzi a uma família que lhes pareceu de confiança, mas quando tentaram saber notícias, após várias tentativas sem respostas, souberam finalmente que ela tinha desaparecido.


   Após longa troca de explicações, falsas desculpas e declaradas mentiras dadas pelos adoptantes, decidi que não a entregava a mais ninguém, obtendo de imediato a concordância dos voluntários da associação que depois me relataram como a tinham encontrado na beira de uma estrada, com filhotes há cerca de um ano. 
  Recolheram-nos, cuidaram, deram os bebés e esterilizaram a Maia, nome que lhe tinham dado, até serem enganados por esses adoptantes que a descartaram sem pejo para casa da mãe idosa desse "dono" que não a quis, assim que verificou que ela não lhe servia para a caça.

   Este é o triste destino de grande parte dos cães usados e abusados pelos caçadores, mas se durante alguns meses, a Suzi parecia saudável e apenas evidenciava o medo de qualquer humano que dela se aproximasse, algo muito mais grave escondia, talvez dos tempos em que a terão mantido sem carinho nem condições, condenando-a depois ao abandono e até à morte, como acontece a tantos outros que não encontram quem os tire das ruas e lhes dê o respeito e a confiança que merecem. 


    Uma manhã, quando lhe abri a porta do anexo onde dormia com o amigo Fausto, percebi que estava desorientada, rejeitou a comida e deambulou pelo pátio até perder as forças e cair no chão em sofrimento. 

    Dirigimos-nos de imediato ao hospital veterinário, porque era domingo e ficou internada para exames. Não se percebia o porquê do seu estado que cada vez era mais grave, ao mesmo tempo que se tornava cada vez mais feroz, tentando atacar quem se aproximasse dela e sem me reconhecer. 

    Os veterinários suspeitaram de algo no cérebro que poderia ser muito grave, ou mesmo fatal. 
    Fez- se um tac que indicou uma mancha que sugeria um tumor, mas além disso, havia ainda uma marca no osso do maxilar que poderia ser uma sequela deixada por antigos golpes e maltrato.

    De volta, ao hospital, começou um tratamento difícil à base de cortisona e inesperadamente, ganhou o equilíbrio, voltou a comer bem e a melhorar dia após dia, contudo, a sua revolta e  comportamento agressivo manifestavam-se cada vez de forma mais ameaçadora, tanto para os profissionais que a cuidavam, como para mim, nas visitas diárias que lhe fazia. 


    Finalmente, descartada a possibilidade de um tumor, a hipótese de inflamação nas meninges ganhou força, já que o tratamento tinha sido direccionado para esse fim e ela se mostrava curada, podendo mesmo regressar a casa, sem mais medicação, mas o veterinário tinha receio dela e desse seu comportamento agressivo que dada a sua estatura e força, poderia colocar em risco tanto a nossa integridade física, como a dos outros animais residentes e sugeriu delicadamente a eutanásia, "pelo bem de todos". 

     Passei a noite em claro, mas no dia seguinte, apelei à minha coragem e fui buscá-la sozinha!
    Com todos os cuidados, de açaime, colar e duas trelas atadas a um gancho do carro para que não me atacasse no trajecto mais lento que alguma vez fiz e de olhos plasmados no retrovisor, não fosse ela saltar do banco de trás e atacar-me, chegámos a casa. 
     

    Ao ver o nosso portão, reparei que abanava a cauda pela primeira vez e entrou afoita. 
   Tinha fechado os outros cães anteriormente, mas deixei que o Fausto saísse para a receber. 

    A Suzi estava finalmente em casa, renovada e mais feliz que nunca!   

  Retirei-lhe o colar, soltei-lhe as trelas, deixei-os correr e por fim até o açaime saiu!

  Bem vinda a casa, querida Suzi, porque até as  carícias que sempre me negaste, passaste a  consentir, ao mesmo tempo que me pedes o beijinho de boa noite, plantado na pontinha do teu nariz frio e molhado!

   Tanto a doença, como o internamento ou o mal estar que sentia, despertaram-lhe velhas memórias de abandono, sofrimento e dor, mas tudo afinal lhe serviu definitivamente para que entendesse que jamais eu iria desistir dela e assim, aceitou confiante a nossa casa e a nossa família, como a sua...    


   

          

                 

domingo, 23 de dezembro de 2018

NATAL FELIZ ?


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 Mais um Natal e mais um ano que vai em breve vai terminar. 


   Não, não vou dissertar sobre religiões, porque todas elas merecem o meu respeito, mas se cada uma adoptou as suas datas de celebração, os Cristãos fizeram do seu Natal, uma negociata pagã que agride tudo aquilo que eles próprios, um dia, pretenderam divinizar.


   Não quero que me desejem um Natal feliz, enquanto morrem milhões de inocentes para encherem os pratos de quem faz o uso selectivo da palavra "amor", porque quem, como eu, conseguir entrar em cada um desses seres e em cada dor sentida, fazendo dela a sua, saberá que não é justo contribuir para que este holocausto exista! 


  Não quero, nem tenho Natais felizes, enquanto o eco da dor e do sofrimento de cada uma dessas vítimas, perturbar as minhas noites de sono e me fizer lamentar a humanidade cruel que festeja o nascimento do seu Deus, com a morte daqueles a quem Ele deu a vida!


   Não tenho Natais felizes, quando tudo à minha volta tresanda a essa já banal hipocrisia embrulhada em papéis coloridos de uma falsa solidariedade que sucumbe logo que cai o pano da comédia natalícia e os tradicionais actores retiram a desbotada maquilhagem, mudam de roupa e dobram as asas de anjos para a próxima actuação de amor ao próximo.


  Chega de Natal, de frases feitas e de reviver tempos que achei que podiam ser de paz e da união que nunca senti.                          Talvez por isso me tenha disposto a entrar ao de leve nesta quadra, para tentar dar aos meus filhos, aquilo que a comunidade lhes exige, sem contudo abdicar das minhas descrenças e princípios.

  Hoje, verifico com agrado que não é preciso ser Natal para apoiar um amigo, respeitar o direito à vida de qualquer animal, ou reunir os únicos familiares que me restam, mesmo que a distancia nem sempre o permita... 


    E porque o Natal não precisa de ser quando manda o calendário, não quero ser feliz só quando mo desejam, porque sei sê-lo quando o Sol brilha e o calor me acaricia, mas sem deixar de lado esse sentido de justiça e a coerência que só alguns têm, mas que nenhuma religião nos dá!



  Feliz Natal a quem só o tem uma vez ao ano!





    

    

   
   

   

            

     

domingo, 2 de dezembro de 2018

SUBCOMISSÃO DE ÉTICA - PARLAMENTO

                        

                        EQUIDADE?

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    Aqui está uma palavra das mais faladas e menos cumpridas! 

    Presumo que na maior parte dos casos ela se assemelhe mais a uma espécie de sedativo administrado em doses industriais aos mais incautos e distraídos nestas andanças políticas que se contentam com meras falácias ditas por quem os sabe controlar, coisa que comigo já não cola, no entanto, pelo sim pelo não, fui investigar e fiquei surpreendida por existir no nosso Parlamento, uma Subcomissão de Ética, com uma página quase em branco, não sei se por funcionar em sigilo, ou se a ética de todos os deputados, cuja "palavra faz fé", não pode ser posta em causa, mesmo quando alguns e não são poucos, os que pisam o risco...

    Foi igualmente com surpresa que tomei conhecimento de um caso que esbarra com as normas do nosso Parlamento, mas que nem comentaria, se a tal "equidade", fosse mesmo a arma democrática aplicada em todos os casos de falta de respeito dessa Casa, o que não acontece e mas mais uma vez reconheço que por aí, as coisas são cada vez menos lineares...  

    As redes sociais, têm sido, sem dúvida, a maior inimiga desta pobre"democracia", porque por entre as"fake news" e as sérias, lá se vai sabendo qualquer coisinha que nos deixa a pensar.

   Sem saber precisar a data da ocorrência, mas relembrando o que lhe deu origem, um grupo de precários que se manifestaram nas galerias contra o ex primeiro ministro Passos Coelho com profunda indignação, quebrou a ética parlamentar, interrompendo de forma ruidosa os trabalhos. 

    Até aí, estamos de acordo, porque não se pode fazer "baderna" num lugar de respeito, mesmo quando quem se revolta não tem onde cair morto/a, porque o Estado lhe sonegou o sagrado direito ao trabalho e a uma vida digna, contudo, só uma mulher foi a julgamento e nem a precariedade da sua situação a salvou de uma multa de quase mil e quinhentos euros, para não ir presa, já que a justiça dos fracos é mais pesada, embora a de outros, nem por isso...

    Como é evidente, não é este o caso que me fez vir aqui indagar à Subcomissão de Ética a sua actuação, porque ainda sei separar poderes, mas o que não sei e gostava de saber, é onde está a equidade de tratamentos dados a uma precária desesperada por falta de pão e a uma deputada que pinta as unhas no hemiciclo, coisa que eu nem me passaria pela cabeça fazer à frente dos meus alunos, numa sala de aula. 

   Lembro igualmente quando se discutiam as bebidas açucaradas, no dia 24 de Novembro de 2017 e o deputado do PAN mostrou alguns exemplos de embalagens sem adição de açúcar, como foi indigna, arrogante e vergonhosa a forma jocosa com que o Sr. Presidente Ferro Rodrigues, lhe cortou a palavra, mandando-o "desmontar a tenda". 

  Igualmente própria de certos debates em países do 3º Mundo, foi também a postura do deputado Carlos César e dos seus apoiantes, quando da discussão da "abolição da caça à raposa e saca rabos", no passado mês de Outubro, com piadas  ofensivas aos mais de vinte mil portugueses signatários da petição em causa. 

   Poderia sem dúvida continuar a recordar outras posturas impróprias de um Parlamento que deve respeito ao povo que nele deveria confiar, mas que nem a Subcomissão de Ética se atreve a criticar, talvez porque o termo (ética) não existe mais, nessa Casa que deveria ser um exemplo de decoro e de respeito.


   Falta-me contudo referir o último capítulo da indecência e da falta de democracia existente nesse majestoso edifício, onde a boçalidade atingiu o seu expoente máximo com um toque de tourada, olés, forcados do Rato, aplausos e cumprimentos à saída!

   Exmos Srs Deputados indigitados para uma suposta Subcomissão de Ética:
   Que penalidade foi, ou será dada a um deputado que quebra as regras de decoro que tem faltas injustificadas, pouco ou nada participa nos debates e é ainda suspeito de ter recebido favores para assistir a um jogo do Euro 2016 em França, possivelmente em classe executiva? 

   Até quando se desacredita e se consentem estes comportamentos abjectos numa Assembleia da República que tem como dever representar e respeitar todos os portugueses e não apenas os egos inflamados de alguns senhores pagos por todos nós?  


    Atrevem-se a responder?  

      

        

          

     

    

    

      

      

     



quarta-feira, 28 de novembro de 2018

AVISO URGENTE: ACORDAR!

 O Campo Pequeno tocou hoje na Assembleia!

  Quem é que teve o desplante de chamar "Casa da Democracia" a esse edifício neoclássico onde se burla o povo que de venda nos olhos, a sustenta? 
    
   O governo decidiu que o IVA das touradas,  não deveria ser de 6% como outros espectáculos, por ser considerado violento e inadaptado à actual evolução civilizacional, mas foi desautorizado não só pela maioria dos partidos, como por metade do grupo parlamentar que o suporta.

   Enfim, não será por ninharias que o amianto de certas escolas deixará de ser retirado, as estradas reparadas, os equipamentos médicos renovados, ou se compre pelo menos um comboio novo, para fingir que se investe qualquer coisinha nos transportes públicos.


    Voltemos então à "Casa da Democracia" e à votação do IVA das touradas, com música de fundo, olés e uma homenagem especial ao "grupo de forcados do largo do Rato"cujo número afinal é de 43, embora a maioria não consiga já com um gato pelo rabo (salvo seja), quanto mais com um touro... 

   Nestas coisas de pegas de caras e bandarilhas, a união das bancadas é como aqueles casamentos de conveniência, onde as desavenças e as traições se resolvem com um cartão de crédito. 

    Um deputado do PSD que por acaso não devia ter grandes razões para graçolas, visto que é um dos arguidos por recebimento indevido de vantagens das viagens ao Euro 2016, pagas pela Olivedesportos e que era para ter sido resolvido no passado mês de Agosto (2018), mas que pelos vistos não o foi por causa do calor, mas se não se falou mais nisso, foi porque agora já faz frio. 
   O humorista de turno, foi Luís Campos Ferreira que brindou a Assembleia da República com a música da tourada, gravada talvez no seu telefone, pela sua estimada mana Fátima Prós e Contras, durante algum orgasmo familiar experimentado durante as touradas transmitidas pela RTP. 

   Assim são os políticos portugueses, tranquilos e confiantes, dependendo da quadrilha, porque alguns, como é o caso deste honesto deputado, nem precisam rebaixar-se a justificar as faltas, coisa que, para qualquer funcionário público, dá processo disciplinar, mas para os "trabalhadores da Democracia", não é preocupante, visto que na "Subcomissão de Ética", quem lá está são os amigos.