domingo, 2 de dezembro de 2018

SUBCOMISSÃO DE ÉTICA - PARLAMENTO

                        

                        EQUIDADE?

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    Aqui está uma palavra das mais faladas e menos cumpridas! 

    Presumo que na maior parte dos casos ela se assemelhe mais a uma espécie de sedativo administrado em doses industriais aos mais incautos e distraídos nestas andanças políticas que se contentam com meras falácias ditas por quem os sabe controlar, coisa que comigo já não cola, no entanto, pelo sim pelo não, fui investigar e fiquei surpreendida por existir no nosso Parlamento, uma Subcomissão de Ética, com uma página quase em branco, não sei se por funcionar em sigilo, ou se a ética de todos os deputados, cuja "palavra faz fé", não pode ser posta em causa, mesmo quando alguns e não são poucos, os que pisam o risco...

    Foi igualmente com surpresa que tomei conhecimento de um caso que esbarra com as normas do nosso Parlamento, mas que nem comentaria, se a tal "equidade", fosse mesmo a arma democrática aplicada em todos os casos de falta de respeito dessa Casa, o que não acontece e mas mais uma vez reconheço que por aí, as coisas são cada vez menos lineares...  

    As redes sociais, têm sido, sem dúvida, a maior inimiga desta pobre"democracia", porque por entre as"fake news" e as sérias, lá se vai sabendo qualquer coisinha que nos deixa a pensar.

   Sem saber precisar a data da ocorrência, mas relembrando o que lhe deu origem, um grupo de precários que se manifestaram nas galerias contra o ex primeiro ministro Passos Coelho com profunda indignação, quebrou a ética parlamentar, interrompendo de forma ruidosa os trabalhos. 

    Até aí, estamos de acordo, porque não se pode fazer "baderna" num lugar de respeito, mesmo quando quem se revolta não tem onde cair morto/a, porque o Estado lhe sonegou o sagrado direito ao trabalho e a uma vida digna, contudo, só uma mulher foi a julgamento e nem a precariedade da sua situação a salvou de uma multa de quase mil e quinhentos euros, para não ir presa, já que a justiça dos fracos é mais pesada, embora a de outros, nem por isso...

    Como é evidente, não é este o caso que me fez vir aqui indagar à Subcomissão de Ética a sua actuação, porque ainda sei separar poderes, mas o que não sei e gostava de saber, é onde está a equidade de tratamentos dados a uma precária desesperada por falta de pão e a uma deputada que pinta as unhas no hemiciclo, coisa que eu nem me passaria pela cabeça fazer à frente dos meus alunos, numa sala de aula. 

   Lembro igualmente quando se discutiam as bebidas açucaradas, no dia 24 de Novembro de 2017 e o deputado do PAN mostrou alguns exemplos de embalagens sem adição de açúcar, como foi indigna, arrogante e vergonhosa a forma jocosa com que o Sr. Presidente Ferro Rodrigues, lhe cortou a palavra, mandando-o "desmontar a tenda". 

  Igualmente própria de certos debates em países do 3º Mundo, foi também a postura do deputado Carlos César e dos seus apoiantes, quando da discussão da "abolição da caça à raposa e saca rabos", no passado mês de Outubro, com piadas  ofensivas aos mais de vinte mil portugueses signatários da petição em causa. 

   Poderia sem dúvida continuar a recordar outras posturas impróprias de um Parlamento que deve respeito ao povo que nele deveria confiar, mas que nem a Subcomissão de Ética se atreve a criticar, talvez porque o termo (ética) não existe mais, nessa Casa que deveria ser um exemplo de decoro e de respeito.


   Falta-me contudo referir o último capítulo da indecência e da falta de democracia existente nesse majestoso edifício, onde a boçalidade atingiu o seu expoente máximo com um toque de tourada, olés, forcados do Rato, aplausos e cumprimentos à saída!

   Exmos Srs Deputados indigitados para uma suposta Subcomissão de Ética:
   Que penalidade foi, ou será dada a um deputado que quebra as regras de decoro que tem faltas injustificadas, pouco ou nada participa nos debates e é ainda suspeito de ter recebido favores para assistir a um jogo do Euro 2016 em França, possivelmente em classe executiva? 

   Até quando se desacredita e se consentem estes comportamentos abjectos numa Assembleia da República que tem como dever representar e respeitar todos os portugueses e não apenas os egos inflamados de alguns senhores pagos por todos nós?  


    Atrevem-se a responder?  

      

        

          

     

    

    

      

      

     



quarta-feira, 28 de novembro de 2018

AVISO URGENTE: ACORDAR!

 O Campo Pequeno tocou hoje na Assembleia!

  Quem é que teve o desplante de chamar "Casa da Democracia" a esse edifício neoclássico onde se burla o povo que de venda nos olhos, a sustenta? 
    
   O governo decidiu que o IVA das touradas,  não deveria ser de 6% como outros espectáculos, por ser considerado violento e inadaptado à actual evolução civilizacional, mas foi desautorizado não só pela maioria dos partidos, como por metade do grupo parlamentar que o suporta.

   Enfim, não será por ninharias que o amianto de certas escolas deixará de ser retirado, as estradas reparadas, os equipamentos médicos renovados, ou se compre pelo menos um comboio novo, para fingir que se investe qualquer coisinha nos transportes públicos.


    Voltemos então à "Casa da Democracia" e à votação do IVA das touradas, com música de fundo, olés e uma homenagem especial ao "grupo de forcados do largo do Rato"cujo número afinal é de 43, embora a maioria não consiga já com um gato pelo rabo (salvo seja), quanto mais com um touro... 

   Nestas coisas de pegas de caras e bandarilhas, a união das bancadas é como aqueles casamentos de conveniência, onde as desavenças e as traições se resolvem com um cartão de crédito. 

    Um deputado do PSD que por acaso não devia ter grandes razões para graçolas, visto que é um dos arguidos por recebimento indevido de vantagens das viagens ao Euro 2016, pagas pela Olivedesportos e que era para ter sido resolvido no passado mês de Agosto (2018), mas que pelos vistos não o foi por causa do calor, mas se não se falou mais nisso, foi porque agora já faz frio. 
   O humorista de turno, foi Luís Campos Ferreira que brindou a Assembleia da República com a música da tourada, gravada talvez no seu telefone, pela sua estimada mana Fátima Prós e Contras, durante algum orgasmo familiar experimentado durante as touradas transmitidas pela RTP. 

   Assim são os políticos portugueses, tranquilos e confiantes, dependendo da quadrilha, porque alguns, como é o caso deste honesto deputado, nem precisam rebaixar-se a justificar as faltas, coisa que, para qualquer funcionário público, dá processo disciplinar, mas para os "trabalhadores da Democracia", não é preocupante, visto que na "Subcomissão de Ética", quem lá está são os amigos.    

     

   

   
    
      

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

"DESTROCE"


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   Recordo hoje aqui uma situação um tanto ou quanto caricata que me sucedeu há alguns anos, quando decidi estacionar num lugar apertado e cuja manobra teve que ser feita com cautela, para evitar possíveis danos.


   Nunca fui perita em estacionamentos difíceis, mas não gosto de ajudas externas que normalmente, só me servem para  atrapalhar, por isso, não gostei de sentir atrás de mim, aquela voz enviesada que dizia "destroce... destroce...", como se distorcer a direcção para onde ele mandava, fosse a solução adequada.


    Sem prestar atenção e apesar da insistência, lá consegui finalizar a manobra e sair do carro, não sem ver logo uma mão suja estendida à frente do meu nariz, aguardando a respectiva moeda.

    Era um homem ainda jovem, magro de cabelo preto, com as calças amarradas à cintura por uma corda e uma camisa desbotada. 


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   Na passada 2ª feira, dia 19/11,  relembrei esse inesquecível      "destroce", no programa Prós e Contras da RTP!

  É incrível, como certas figuras, pelas semelhanças físicas, nos despertam memórias desagradáveis e mais incrível ainda, é ver como se "destrocem" em debates imbecis de fraca  argumentação, próprios de quem "encornou" (já que é de bovinos que se fala), a velha e já gasta cartilha da tauromaquia. 

   Há certos praticantes do "destroce", ou havia, já que os parquímetros retiraram aos propriamente ditos, o pão ou o vício, como é que alguns vivaços conseguem subir na vida à custa de manobras sujas e malabarismos de esperteza saloia, com afincados esforços de  intelectualidade, roupa melhorada e carradas de sebo com perfume para segurar o penteado das intempéries que não deixam porém, de os identificar pelas evidentes semelhanças físicas a  qualquer cidadão sem abrigo marginalizado por esta sociedade desigual, a quem o destino, postura, ou coerência, não permitiu qualquer ascensão social e menos ainda ser usado num certo debate televisivo tendencioso, com  assento privilegiado ao lado de gente que traiu valores por interesses pessoais, financeiros e demagógicos, com palavras e desculpas sem crédito.


   Foi desta maneira que olhei a figura ridícula e palavrosa do senhor Prótoiro, cuja falta de ética e educação, tão apreciadas e comuns aos seus correlegionários mais instruídos, não deixa de revelar o verdadeiro "destroce" que uma actividade caduca, anacrónica, imoral e violenta significa.

   Não me apraz aqui falar nem da triste actuação da moderadora que ainda teimam incluir em programas de responsabilidade, após todas as críticas e  anteriores denúncias, nem sobre a direcção de programas da RTP que esbanja despudoradamente os nossos impostos com antigos compadrios e espectáculos abjectos,  já que, infelizmente, todos sabemos de sobejo, os conluios internos que poluem muitas empresas públicas e esse looby de tentáculos selvagens que há muito se infiltrou de forma permissiva na política, através dos mais baixos interesses egocêntricos, corruptos, sádicos e insensíveis. 

  Perante tudo o que vemos e sabemos, apenas me resta sugerir que nas próximas eleições, é melhor "destrocer" que desistir, ou fazer marcha atrás, já que a modernidade nos impõe acção e esforço conjunto, para uma erradicação definitiva de práticas e costumes impróprios à nossa ascensão evolutiva.      

sábado, 17 de novembro de 2018

TVI - JORNALISMO POR ENCOMENDA!

   É lamentável como a maioria dos portugueses ainda é tão incompreendida e ultrajada!

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   Verifica-se hoje a crescente tentativa de manipular dividindo, bem como a intenção mais que evidente de formar "rebanhos" amestrados, através de uma comunicação social treinada e paga para alterar comportamentos e realidades, servindo apenas interesses de políticos de velha guarda. 


   Somos um povo de brandos costumes, traído e subjugado pelo medo e por uma insegurança latente, ampliada por técnicas de marketing grosseiras e lobistas.


   Temos votado sucessivamente em pulhas vendidos a interesses que não são os nossos, adquirindo a descrença na justiça, na religião e nessa impunidade tornada quase normal que nos deixa de braços caídos, perante o jugo da  impotência e do receio da mudança .


   A depressão e a inércia são as realidades que se nos apresentam perante combates solitários e batalhas perdidas, contudo, uma larga fasquia da nossa sociedade, reconheceu  finalmente outros valores civilizacionais que anteriormente se ignoravam. 


    A evolução de certas consciências, trouxe-nos finalmente o reconhecimento desses eternos"escravos"sem voz e de um amor incondicional raro que só a inocência de outras espécies consegue ainda conter puro e inviolável.


    Que haja complacência para o dever não cumprido de um Estado educar, cuidar e fazer justiça, até se compreende, dadas as mentiras e esconderijos manipuladores que se verificam a cada passo nos mídia, mas perceber que esse mesmo Estado desfruta do poder absoluto de impor tradições abjectas para que ele próprio se possa regozijar com o sangue de inocentes em arenas de vergonha machista corrupta e que os impostos que tão suadamente pagamos servem para alimentar vícios, torna-se inaceitável e repugnante para qualquer pessoa de bem, provida de lucidez. 


   Embora cada vez mais gente, tenha já posto de lado o conceito de "animais de companhia", versus "animais de consumo" e a ciência tenha mostrado a senciência de todos eles, não é admissível que alguns seres sejam usados apenas para diversão de gente acometida por perturbações comportamentais de ódio, ou de sadismo, cujo excesso de anti depressivos não resolve, mas falando ainda desses fármacos que se tornaram tão banais no nosso país, há aqueles que ainda os consomem, não por falta de paz de espírito, mas por total desilusão...

   Há contudo outros que os conseguiram diminuir, ou mesmo trocar pelo amor de um cão ou de um gato, num equilíbrio de emoções saudável e menos solitário que beneficia dessa magica simbiose de afectos, para o bem estar de ambos. 


  Por pressões de vários sectores, criou-se finalmente uma legislação titubeante de protecção animal que embora defenda uns e condene outros, foi a única que se conseguiu, mas após a euforia inicial, logo se percebeu que não funcionava, porque não foi dada a devida consciencialização nem ao poder executivo fiscalizador, nem ao judicial.  


   Perante a desilusão, inoperância e laxismo no cumprimento dessa legislação, quem antes confiou na justiça, passou a preferir executá-la pelas próprias mãos, ou apoiar um certo grupo de práticas duvidosas chamado IRA, tal como noutros tempos existiram e se apoiaram outros, bastante mais violentos e até sangrentos de defesa dos direitos das mulheres, ou das classes sociais mais carentes e desprotegidas. 


   É num grupo de anónimos de rosto coberto que residem as expectativas e esperanças de muito boa gente e para esses desencantados, tanto faz quem eles são, como operam ou o que escondem, desde que actuem, salvando animais maltratados da inoperância das autoridades. Porque será então que nem todos reparam que ao contrário de um outro IRA, cuja motivação sempre foi mais política que outra coisa, estes salvadores de cães, gatos e cavalos, nunca desafiaram a tauromaquia, ou nunca boicotaram uma tourada e segundo se diz, um deles até participa nelas como forcado?


   De qualquer forma e apesar desta dúvida que me assiste, prefiro não criticar quem neles confia, embora eu não o faça, mas por vezes penso se não fariam falta outros grupos que limpassem com eficácia o despudorado poder de certos políticos, embora sem sangue nem violência que é afinal o que o PAN tem feito,  com a ética que o define e que por isso, deu aso a que se instalasse a calúnia e a mentira, como armas poderosas contra esse evidente medo de se perderem antigos interesses e mordomias, medo esse que finalmente o povo parece estar a  perder, numa crescente revolta de contestação e total descrédito dessa "democracia" composta por traidores, sabiamente gerida e manobrada para enganar apenas quem não quis, ou não se dispôs ainda a ver ...

         

     

     

         

             

         

         

domingo, 11 de novembro de 2018

CARTA ABERTA AO PRIMEIRO MINISTRO

  


 Presumo que uma carta aberta, qualquer plebeu pode ler e responder !



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 Como tal, tendo já formulado a minha opinião sobre a carta de Manuel Alegre, venho agora comentar a do Sr. Primeiro Ministro.
     
   Como neste país os imigrantes africanos são proibidos de efectuar a mutilação genital feminina às suas crianças e jovens, não percebo porque é que nem a todas as "tradições" abjectas, o mesmo procedimento, não pode ser usado. 

  Como é evidente, de forma alguma quero fazer uma comparação entre MGF e as touradas, embora ambas sejam tradições arreigadas e defendidas pelas comunidades que as praticam, logo parece-me uma opinião descabida, criar para as touradas mais uma cómoda excepção que apenas revela a  falta de coragem de assumir que qualquer acto bárbaro, não pode ser jamais uma questão de somenos e continuar nas entrelinhas de um país que quer parecer civilizado! 
  
   As touradas não podem ser vistas como um detalhe, ou um tema incómodo que se atira para as autarquias, ou para a dualidade de gostos, porque elas não são o simples binómio entre quem gosta e quem detesta, já que existem  protagonistas que ao contrário, por exemplo dos boxeadores, não usufruem de qualquer vantagem e são mortos no final de cada actuação, após infinita tortura.
   Por serem seres sencientes, o sofrimento destes animais, de modo algum pode ser desejado por eles, ao contrário do que maldosamente alguns afirmam.          
   O que verifico nestes políticos "anti tourada" que desejam navegar em águas mansas, ou viver bem com Deus e com o Diabo, é a falta de carácter para assumirem o que sabem que é certo e o Sr. Primeiro Ministro, apesar das lindas palavras tão sabiamente usadas nesta "carta aberta", adopta quase o mesmo discurso...

   Falar de "Democracia", de liberdades e até da violência sobre as crianças que assistem à tortura destes animais, é ridículo, quando se detém o poder e não se tem coragem para tomar posição contra a transmissão destes espectáculos na tv pública, ou se fecha os olhos aos menores que assistem a estas performances de sangue e até participam activa e descaradamente no brutal e desumano esfaqueamento dos touros da tal excepção dada a Barrancos e a Reguengos de Monsaraz, pelo partido a que, por estranha  coincidência, Vª. Exª pertence.

   Diga-nos, Sr Primeiro Ministro, qual o país que gere e se acaso sabe o que se passa nele, no que respeita à permissividade nada cultural, artística, ou poética destas actividades que não passam apenas pelas touradas, nas também nas largadas e afins. 
   V Exª terá talvez nomeado uma boa Ministra sem imaginar que era uma mulher de fibra que tocaria na ferida de muitos dos seus apoiantes, mas as mulheres a sério, assumem-se e sem dúvida que esta o fez assumir-se, embora ainda "poucachinho", apesar de eu saber que os amigos são para as ocasiões e as eleições estão à porta... 
    
        
  
       
   
    
         

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

O POETA ALEGRE


      


      "Ser poeta é ser mais alto"


 

  

 Que dirias tu, Florbela 
Espanca, se tivesses conseguido respirar a aragem da igualdade e da consciencialização que este novo século nos trouxe? 

   Que dirias tu, mulher de sensibilidade à flor da pele, se este século tivesse conseguido dar uns passos atrás para te explicar que o amor ao próximo, pode ter outros focos que não apenas aquele que tu sentiste e pelo qual morreste?

  Que dirias tu, Camões, "alma minha gentil que partiste tão cedo desta vida descontente" se soubesses que "ser poeta", nem sempre "é ser mais alto" quando se mistura poesia com violência, ódio e sangue...

  Que dirias tu então, de um artista de fachada que usou a sua habilidade poética para se promover à custa de um povo carente de liberdades, pisado, humilhado e reprimido durante quarenta anos, mas que lhe trouxe honras e subvenções mensais que ultrapassam 8 salários mínimos de qualquer trabalhador esforçado?

  Que dirias tu ainda, se eu te dissesse que a democracia de hoje, é como a de certos poetas, cuja coerência de sentimentos, apenas desacreditam o que um dia foram ou escreveram?

  Felizmente não conheceste o "poeta Alegre", porque se olhasses bem para os 82 Invernos espelhados nessa figura de marialva fora de prazo, bem nutrido de poder e de vantagens, decerto não irias gostar!

   Descansa em paz, amiga, com todos os teus amores impossíveis e aqueles que "amaste só por amar", porque eu prefiro amar as minhas causas, viver por elas e escrever sobre um certo"poeta", cujo sentimento, apenas existe no abdómen de gula, assim como a altivez e a presunção, patentes no olhar baço raiado de sangue e das mortes inúteis que lhe alimentam o espírito devasso e incoerente.

   Há fascistas mascarados de democratas, porque precisam adicionar conteúdos de vanguarda às suas  personalidades tacanhas, mas cuja noção de democracia, só existe para conforto dos seus egos mesquinhos. 

    É assim com este "poeta alegre", ensandecido pela perspectiva de perder o sádico gozo da caça e o espectáculo macabro de nobres herbívoros sangrando em arenas doentiamente legalizadas. 

   É assim que se atraiçoam os valores culturais e civilizacionais de um povo que, ao contrário do que alguns pensam, cresceu, passando a condenar essa violência gratuita, comparticipada e apoiada por um Estado retrógrado e imoral, composto por farsantes e parasitas avessos à evolução ética de um povo que tão tristemente manipulam para seu beneficio.

   Foi a um "poeta" traidor, a quem a idade aguçou a ambição, que assistimos, numa certa campanha eleitoral, feita de verónicas, cavaleiros e pegas de caras que a moral triunfou com uns quantos pares de bandarilhas negras, cravadas sem erro, num certo lombo já flácido! 

  Como deve ser difícil e doloroso perder a pose perante tão cruel derrota...
  Como deve ser difícil dar a mão à palmatória e ter que aceitar que os tempos mudaram, que o "outro"já não é só um "poeta alegre"de copo cheio que viveu de mordomias, mas sim e também, um animal senciente, cuja poesia existe na música ritmada do seu chocalho, enquanto petisca a erva fresca que a Mãe Natureza, tão generosamente lhe entrega ...               

       

      
    
            

        

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

CULTURA À PORTUGUESA

 

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      Mataram a cultura e estagnaram-nos no tempo, para que não se derrubassem interesses e para que a pobreza envergonhada não fosse exposta ao mundo e ainda agradecesse abanando a cauda a qualquer esmola. 
      Este é o Portugal dos turistas, das desigualdades, das mentiras e da corrupção, com o seu povo manso e retrógrado que apenas se manifesta no futebol, no sádico prazer de matar seres indefesos em caçadas, na sangria dos touros, na violência doméstica, nas injustiças escamoteadas e em divertimentos abjectos legalizados, para que finalmente sintam qualquer poder ou domínio e esqueçam, btutos e alcoolizados, o seu dia a dia de servilismo e escravatura miserável a que a falta de horizontes e cultura os condenam. 


 Quando o futebol é usado horas a fio nas televisões, dia e noite com a mesma ladainha, investindo-se em grupos de comentadores de assuntos esgotados, é sinal de que algo de muito grave se passa.

 

    Este é o país, onde as notícias são filtradas e omitidas conforme a vontade não do freguês, mas sim dos seus donos, nesse reles intuito de escamotear os escândalos, fazer render processos políticos mais mediáticos que comprometem este ou aquele amigo, em saltos de canguru, mas que ao mesmo tempo vão sendo descobertos e timidamente desmascarados por uma fasquia da população mais atenta, entre dúvidas e críticas acaloradas, mas sem futuro à vista...

   Tenho pena deste meu país amordaçado e traído, deste esboço de democracia vilipendiada e descaradamente aviltada por quem deveria ter a honestidade e o dever de a fazer respeitar e cumprir!


   Somos os escravos de uma economia de interesses e desigualdades, devotos de uma religião de falsos pregões e moral duvidosa que bajula e serve quem mais tem, actuando nos palcos da opinião pública com a mesma hipocrisia usada nos tempos da ditadura, em eterno acordo com o Vaticano que dela se serve, nesse já velho acumular de riqueza e poder, feito de falsidade e da manipulação das massas menos esclarecidas e amorfas.


    Deixou-se finalmente a necessidade de esconder crimes económicos, corrupção e compadrio, porque se treinou o povo para a ignorância, o egoísmo e a passividade. 

    Monopolizaram-se os midia, para que relatem apenas o que convém, em catadupas de sensacionalismo rapidamente justificado por uma justiça de "legalidade" obscura e vendida à impunidade.  


      A voz do povo que sustenta os seus alegados representantes, perde-se em cada discussão parlamentar, transformando-se na voz dos lobbies que sustentam certos partidos, grupos e organizações encapotadas, famintos de regalias e intrépidos intervenientes dos governos sórdidos que nos usam e exploram. 

 


   Mataram o nosso povo pela ignorância!




      Este é o meu país, aquele que se deixou adormecer embalado no doce perfume dos cravos vermelhos e nas falsas promessas de governantes sem escrúpulos nem ética que apenas singram graças à ignorância, ao medo e à apatia de quem os sistematicamente escolhe .      


 

     Este é ainda o país onde os ministros são apenas peças de um xadrez oculto pelos interesses, pela corrupção e cujos argumentos, próprios do poder absoluto, do autoritarismo e da protecção acérrima que lhes é concedida, conseguem assim convencer os menos atentos, ou pouco letrados.

    Quando um ministro da cultura se torna de tal forma invisível que até os seus fiéis apoiantes o salvam de perguntas incómodas no Parlamento sobre a "tradição cultural" de esfaquear um animal vivo e amarrado em praça pública, não merece sequer ser criticado com palavras limpas e num português ortograficamente cuidado que não seja aquele de um certo acordo que desvirtua a nossa língua e essa portugalidade já tão atraiçoada e caduca. 


    Sem dúvida que os tempos são de retrocesso, de absurdos que roçam cada vez mais o ridículo e o apelo a uma ditadura que julgávamos vencida, mas cujas garras nos ferem dia após dia com maior profundidade e menor sensibilidade das suas vítimas. 

   A falta de entendimento contagia a opinião pública, com acontecimentos que se sobrepõem ao essencial e os nossos "ídolos" passaram a ser, não os da cultura, das artes ou da ciência, mas sim os do pontapé e dos escândalos idiotas relatados nas revistas cor de rosa. 


   Um ministro da "coltura" que apoia ébrios e selvagens, não merece, nem nunca será de CULTURA, mas sim um elemento inerte e traidor dos pressupostos que lhe deveriam ser exigidos, mas que apenas o alimentam da incúria dos seus superiores, justificando a sua explícita incompetência, covardia e falta de carácter!