quinta-feira, 23 de junho de 2016

A ÚLTIMA OLIMPÍADA!


                                                    






  

           A  ÚLTIMA  OLIMPÍADA 

 Nasceste selvagem, mas não deixaram que o fosses nem sentisses o que é correr na floresta, lutar pela subsistência e achar poiso sobre qualquer árvore para teu repouso!

       Eras pequena, frágil e por isso, presa fácil e mascote útil em exibições de ignorantes...  


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  Foste atracção turística, peça de desfile e tudo menos o felino que nasceste para ser!                                                      
                                              Como   tantos animais,foste usada, explorada e prisioneira sem culpa formada, nem argumentos. 
         Não!  Tu sabias que algures, na sagrada Amazónia, havia outros iguais a ti, mas que ainda conseguiam escapar ao maior de todos os predadores, àquele que dizima índios e árvores, o que devasta cada pedaço que pisa e polui os rios, transformando em mártires quem o desafia, ou com ele se cruza.   
          Tu sabias tudo isso e porque te tornaste adulta, entendeste que o teu mundo não era aquele onde te forçaram viver.                                  
         Quiseste  então provar o gosto da liberdade, ignorando que um tiro certeiro te travaria o passo e que talvez até a tua pele suave e bela, servisse a luxúria de quem te ignorou e lucro fácil aos teus carcereiros...  
      Hoje  corres a tua última olimpíada, içando bem alto a chama da revolta daqueles que lutam a teu lado por um mundo mais justo e livre e para que se rompam todas as correntes nos circos com animais, nos zoos, nas touradas e onde quer que exista um ser aprisionado sem saber o que é ser livre!
         Vai, Juma e faz a tua última corrida de glória sem perderes o fôlego, não para os que te pararam o salto, mas sim para todos aqueles que lutam e militam nas Olimpíadas da Paz!
  
  


   


QUANDO OS POMBOS TOMBAM!


      QUANDO  OS  POMBOS TOMBAM!


SEREMOS NÓS OS DONOS DA TERRA, OU TEREMOS O DIREITO DE DESTRUIR TUDO O QUE NOS CERCA?

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   Ao longo dos séculos, os pombos sempre foram os símbolos da paz, mas o homem é bélico por natureza, precisa afirmar-se, defender os seus mais mesquinhos interesses e impor o seu domínio.
   Quando eu era criança, levavam-me a dar milho aos pombos. Depois, fiz o mesmo com os meus filhos e hoje vejo com revolta que essas aves pacíficas, hoje são consideradas pragas e pior que isso, é saber que são dizimadas aos molhos, como se de lixo se tratassem.
   Sem dúvida que os deuses devem estar loucos,porque permitem tais atrocidades, mas neste século XXI, em que a ciência e a tecnologia nos ensinam tanto, pratica-se a ignóbil caça aos pombos com uma estrutura metálica onde eles entram e já não saem, para morrerem à fome, à sede e ao calor . 
  Parabéns, Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, financiada com dinheiros públicos, mas sem respeito pelos seus humildes pagadores!   
   Já não lhes bastam os touros, agora também é tradição dar morte lenta às aves?
   Oh praga de sociedade a nossa e pragas de autarcas que deviam plantar batatas em vez de arrotar ordens imorais, porque nem sequer tiveram a dignidade ou capacidade de aprender que para que um animal se não reproduza, há formas de o fazer sem torturar e matar !
    País frouxo o nosso, onde não há quem os tenha no sítio para destruir a armadilha e deixar voar os prisioneiros! 
   País frouxo o nosso que vota em incompetentes e depois os critica no facebook! 
   Sinto vergonha deste terceiromundismo, onde infelizmente nasci, mas onde jamais ficarei calada!

sexta-feira, 17 de junho de 2016

A Colonização dos "Descolonizados"





                     A COLONIZAÇÃO DOS  

                        "DESCOLONIZADOS"

    São Tomé e Príncipe é a terra onde a Natureza floresce!

    É também a terra do "Leve leve" e tão leve que em cada canto frutas e legumes nascem espontâneamente para alimentar o seu povo amável e tão pacífico que não aprendeu ainda que para além do que a terra lhes oferece, há um mundo de direitos que lhes são negados.
   A colonização portuguesa foi o embuste religioso que permitiu e enriqueceu alguns, arrancando nativos de outras terras, para os transformar em escravos vendidos e comprados como gado.
   Esta é a mancha negra dos nossos Descobrimentos que os livros de História mascaram e embrulham no piedoso argumento chamado "Evangelização", mas que apenas deixou um rasto de subdesenvolvimento e miséria, em cada colónia ocupada.  
   Foi assim por toda a África colonizada, não só pelos portugueses, mas também por outros países europeus e após a abolição da escravatura, os povos continuaram a ser escravos da falta de preparação que nunca foi conveniente que tivessem, porque continuariam assim dependentes da raça que sempre os dominara.
    Em São Tomé, as roças, ora de café, ora de cacau, conforme as preferências e mercados da altura, eram as grandes empregadoras a custo mínimo, desses descendentes de escravos pouco ou nada escolarizados que apenas sabiam vergar-se ao peso do trabalho duro e às ordens senhoriais, mas os ventos de outras bandas, deram-lhes a independência e os senhores das roças abandonaram-nas, porque acabara o seu poder, bem como o seu direito a terras que jamais lhes haviam pertencido e das quais hoje apenas restam ruínas, para confessar a triste realidade de que os que trabalharam a terra, nunca foram ensinados a administrá-la, restando-lhes apenas a exuberante Natureza e esse mar azul, recheado de peixes, para seu sustento.
    Hoje, como por quase toda a África, os ex colonizados, continuam a ser a mão de obra barata dos novos "colonos" estrangeiros que subtilmente se voltaram a instalar, pouco a pouco...
   O salário médio de um trabalhador em São Tomé, varia entre os 30 e os 50€ mensais, mas se tiver um filho que pretenda frequentar o ensino superior, terá que pagar uma propina igual ao seu salário, o que torna a educação superior inacessível à maioria.
    O grupo hoteleiro português Pestana, instalou-se no país com um hotel na capital, outro na ilha do Príncipe e finalmente um outro, na Ilha das Rolas.
    Este último, preenche grande parte da ilha e cobra a entrada a quem entrar pela "sua praia", para visitar as magníficas paisagens e o marco que assinala a passagem do Equador. A poucos metros do hotel, situa-se a aldeia dos pescadores, onde também habitam alguns funcionários do hotel.
    Escondida numa curva do caminho de terra batida e no arvoredo, a pequena povoação, é composta por barracas degradadas de madeira e chapa, amontoadas no declive do terreno e ao longo de um pequeno carreiro que vai dar ao mar.
     O contraste entre o luxo e a miséria, é flagrante!
     O Grupo Pestana que em Portugal apoia e até subsidia espectáculos tauromáquicos, ocupou e empurrou os habitantes da ilha, sem o devido investimento num saneamento básico adequado e convivendo assim com os esgotos a céu aberto da aldeia, sem o mínimo cuidado em proteger a população vulnerável, bem como os seus hóspedes, do cheiro fétido, mosquitos e doenças que um rio de imundice provoca, paredes meias.
     A minha primeira visita à maravilhosa Ilha das Rolas, deixou-me não só apreensiva, como satisfeita por não me ter hospedado nesse "paraíso hoteleiro", mas no dia seguinte, decidi voltar numa barcaça e entrar pela aldeia, onde não se paga a"portagem"de 6€ e apenas para entender, porque é que os nativos nunca reivindicaram melhores condições.
     Conversei, perguntei e entendi porque é que em São Tomé, as pessoas se contentam e se submetem com tanta facilidade nesse "leve, leve" que a Natureza alimenta e à resignação da promessa de um futuro utópico que não chega e do qual resta apenas a eterna espera do isolamento, o medo das mudanças e o conformismo que a opressiva herança colonialista deixou enraizada no seu povo demasiado pacífico e maravilhoso.    
 
       



segunda-feira, 6 de junho de 2016

FAENAS E COVARDIA


 




FAENAS  E 

COVARDIA






Este é o país onde nasci, mas jamais aquele com o qual me identifico!


   Este é o país onde se espanca um ser humano que luta pela igualdade das espécies e se insurge contra um bando de sanguinários medievais que pagam e se deleitam com o sangue inocente que mais uma vez voltou a tingir a arena Lisboeta!
   Perante a intolerância ao sofrimento alheio, não há argumentos, desculpas nem complacência, porque a tortura não é democrática e menos ainda, admissível!
   A indiferença, é a marca dos resignados, mas também dos invertebrados, incapazes de entrar na “pele” do outro, seja ele humano, ou não.
   Quem apoia e se junta aos amantes da tortura, vegeta na penumbra dos seus escassos sentimentos, mas quem parte para a luta, mostra o real valor e a essência que deve ser apanágio de um chamado “ser superior”!
   No passado dia 2 de Junho, tal como já aconteceu em Espanha, alguém deu a cara pelo respeito ao próximo, saltando para a arena do Campo Pequeno, em dia de tourada, mas o “próximo” era aquele que não pagou bilhete, nem foi remunerado, porque apenas lá foi parar à força, para diversão de sádicos e psicopatas.
   Esta é a realidade que caracteriza este tipo de incultura, a que chamam tradição, mas nos “bons tempos” da barbárie, não havia opositores interventivos, nem seres pensantes que lhes fizessem frente, por isso, aos bárbaros, não bastou o sangue dos touros para manchar o recinto, porque foi preciso espancar quem quis interromper a “fiesta”...
   Mas no meio de toda esta triste performance, só me ocorre perguntar porque será que a nossa polícia precisou de algemas para retirar o ferido da arena e se mostrou tão omissa e condescendente para com os agressores?
Será que a interrupção inesperada do espectáculo incomodou os políticos e afins presentes, bem como às suas imaculadas esposas, filhos, amigos e concubinas?
   Pelos vistos, os cassetetes policiais que costumam ferver nos estádios de futebol, por aqui, ficaram em casa, possivelmente, porque aos “vips” não se bate, mesmo que eles sejam os criminosos agressores de quem luta sozinho e desarmado por uma causa pacifista...

   E é por estas e por outras que eu detesto ter pensamentos e sensibilidade, mas principalmente, porque é uma chatice ter nascido neste “jardim à beira mar plantado”, onde as ervas daninhas ainda proliferam, à espera de um bom pesticida que as extinga de vez...










domingo, 24 de janeiro de 2016

SEM FUGIR À ROTINA







SEM   FUGIR    À  ROTINA

  

Sou portuguesa, neste canto da Europa, outrora dono de si próprio, aguerrido, conquistador dos mares e dos seus valores que acabou vencido, subjugado, envelhecido e moribundo. 



 Venceu-se a rotina de 40 anos de opressão!
 Venceu-se o medo, a subserviência e a falta de amor próprio!

 Ganharam os domadores bem falantes e enganosos!
 Albardou-se a democracia e hoje aplaudem-se promessas ocas!
 Somos portugueses mansos e felizes rotineiros!
  
 E enquanto houver futebol, vinho, fado e touros, o povo não precisa de cultura nem de alimento, porque vive embriagado pelas suas já batidas "tradições" e interiorizada submissão.

 Eleições? 

  Para quê, se grande parte fica em casa, ganham sempre os mesmos e é perigoso arriscar?
 E quem achar o contrário, decerto não se lembra, ou não é de cá!

  Quem não está bem que se mude, porque aqui não há espaço para aventuras ...

 E não é que se mudaram mesmo os obedientes?

 Obedeceram sim, não por serem obedientes, mas porque a rotina e o marasmo os deixou sem pátria nem futuro!
  Partiram e muitos não voltarão, porque aqui ficam só os velhos, os conformados e os ignorantes, mais aqueles que lucram com o conformismo alheio e assim vamos, "cantando e rindo", porque temos sol e não faltam  turistas para as burricadas...

  A Europa é quem manda, porque aqui, o terreno é fértil...
  Mas embora os burros, propriamente ditos, sejam mais espertos do que quem os explora, não podem votar, tal como ninguém quer saber do seu zurrar, porque nasceram para servir e as suas vozes, leva-as o vento...   

 E assim foram murchando os cravos vermelhos, murchou o povo e murcharam as consciências que perderam a força, deixando de pensar e menos ainda de agir...

  

  


    
     

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O medo e a fraude!




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   Após o primeiro choque, aquele em que os sentimentos entram em conflito, embarquei de novo nos meus silêncios e iniciei  mais uma viagem através desse "Mundo livre" que só os pensamentos constroem, arrancando vendas a opiniões manipuladas que normalmente são adquiridas em manada. 
    E de cima do meu cavalo alado, atrevi-me a julgar esse mundo, através dos anos que já vivi, das leituras que fiz e do espírito crítico que tanto prezo e ao qual solto as rédeas, na quietude dos dias que passam. 
   Sou Ocidental e por acaso, Europeia! 
   Vivo num mundo de esconderijos e incongruências, cujas vítimas, são instrumentos de pretextos sórdidos, interesses económicos e de poder, mas o meu olhar sobre todas essas vítimas da violência dos últimos anos, não se exalta apenas com as que se registaram nos chamados países do "1º Mundo" e que, ao contrário das outras, em Gaza, Alepo, Bahrein, Iraque, hospital de Kunduz, etc. etc, ocuparam dias inteiros e horas a fio de emissões televisivas, repetindo imagens e comentários, até à exaustão, como se estas, fossem as únicas a merecer atenção  privilegiada!
   A opinião pública, embriagada pela bem orquestrada lavagem de cérebros, executada pelos media, adopta sloganes, cores e bandeiras, como se  estes mortos fossem mais importantes e diferentes de outros, a quem restam apenas escassas notícias a tocar a trivialidade e logo ultrapassadas por bagatelas. 
   Por tudo isto, nunca consegui ser, nem "Charlie", nem "Paris", porque isso tornar-me-ia selectiva e injusta!
   Cada vítima tem um rosto, um país, uma família e seja qual for a cor da sua pele, ou a religião que professa, carregou consigo uma vida e uma história, com um final abrupto e cruel.
    A desigualdade, a xenofobia e o racismo, ganham força com estas manifestações colectivas planeadas com a única finalidade de gerar ódio, bem como o conveniente afastamento das reais causas por trás destes actos sangrentos. 
    A inocência e as boas intenções, moram bem longe dos poderosos que se manifestaram de braços dados, em Janeiro de 2015, nas ruas de Paris, sob forte escolta, para uma foto de "família de corajosos indignados" que se pretendiam fingir integrados na manifestação popular, mas à qual não  chegaram perto, porque sobre cada um deles, desaba a responsabilidade por cada vida ceifada e pelo caos deste mundo! 
  Quem formou e treinou a Al Quaida em campos do Paquistão, Turquia e de outros aliados da Nato?   Quem foram os artesãos da guerra do Iraque, aqui bem perto de nós, na base das Lages, nos Açores, onde a mentira se tornou razão, para satisfazer interesses petrolíferos e gerar mortes e infindáveis conflitos?
   Mas recordando ainda a famosa "manifestação" de Janeiro em Paris, lá estava Hollande de braço dado com Netanyahu de Israel, o grande responsável pelas atrocidades na Palestina e que, ao mesmo tempo, cedera os Montes Golã, para treinar e acolher os terroristas do EI, Daesh, Isis, Al Nusra, ou quaisquer outros nomes que se queira dar ao terror.
  Quem negoceia as armas, por portas travessas que são usadas nestes atentados? 
 - São os mesmos "indignados" que condenam os crimes, mas que protegem traficantes, grupos financeiros e lucram com as guerras, os atentados e todo este negócio paralelo ao poder que continua e continuará, porque a teia está montada e não há como sair dela. 
   Entretanto, os fugitivos da morte, entram nesta Europa putrefacta e morrem nas águas do Mediterrâneo sem nome nem rezas, porque as religiões apenas servem de fachada e desculpa, mas jamais de salvação e paz!
  Eles serão novamente as vítimas e os robots telecomandados pelas "democracias" ocidentais, onde o fascismo cresce e se propaga veloz, às escondidas dos incautos.
    Os tempos são de mudança, mas não de "liberdade, igualdade e fraternidade", mas sim de muros, mentira e sangue! 
     
    
       
     
     
         
   

domingo, 25 de outubro de 2015

O Preço das Ideias





          
          
    O     PREÇO  DAS  IDEIAS
  

 

  O  pensamento é um pássaro errante que  jamais poderá ser enjaulado! 


  E a dignidade desponta no grito, quando as grades se fecham e a razão cria raízes!



     Os ideais, são o culminar dos pensamentos,    arrumados e conscientes.
     Não há como atraiçoá-los, nem tempo para retrocessos, mas as grades, estão lá, prontas para os conter, para amordaçar a voz que os traduz e a mensagem que esvoaça... 
      Não há morte que os cale, nem ditadores     que os vençam, porque eles são eternos!
      Não mais haverá silêncio, quando o eco     repetir o clamor de um povo, cujo medo se   varreu e os sentimentos ganharam alma. 
     Não mais a força das armas conseguirá         perpetuar a injustiça e a impunidade dos     opressores, nem castrar ideais, porque alguém ousou cantar liberdade e despertar o mundo para uma nova África livre!
  
  Para ti, Luaty Beirão 
  e companheiros de luta de toda a África.