terça-feira, 21 de julho de 2015

Grécia

                                     

    GRÉCIA   

  À noite, na varanda do meu quarto, olhei longas horas o Partenon, esse magnífico templo iluminado, lá no alto da colina que parecia proteger a cidade e emocionei-me.
  Queria guardá-lo intacto do coração, como se fosse um sonho, contemplá-lo e trazer comigo a sua imagem gravada, como se a sua silhueta e o seu recorte iluminado na escuridão da noite, fossem só meus, como uma jóia rara, trancada num cofre- forte inviolável ...
  Depois imaginei que dele se soltava uma luz brilhante, como um raio de Sol e que a figura da deusa Atena emergia majestosa, de lança em punho, capacete e escudo, tal como nascera, parida já mulher, não do ventre de sua mãe, mas sim da nuca de seu pai Zeus, senhor absoluto do Olimpo.
   Atena, é a perfeição e a sabedoria nata que não necessitou percorrer os degraus e aprendizagens da infância, nascendo já adulta e sábia.
   Mulher /Guerreira, assexuada, ou apenas virgem por opção, ela combina a dureza e a masculinidade da guerra, com a sensibilidade dos artistas e a generosidade feminina.
  Era a sua presença virtuosa e justiceira que eu queria que surgisse de novo na Grécia e no Mundo, mas a antiga deusa, estratega e guerreira invencível, com os ensinamentos que transmitiu ao seu povo na Antiguidade e a consciência da importante função que a cultura e as artes fornecem às gerações futuras, ficou para trás como um mito, deixando apenas saudosas memórias, hoje lembradas como contos fantásticos e esquecidos, nos bastidores da corrupção e dos interesses mais obscuros...



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