quinta-feira, 12 de outubro de 2017

CARTA AO PRESIDENTE


Exmo  Sr Presidente da República, 

                   Professor Dr Marcelo Rebelo de Sousa

              Excelência

  Solicitaram-me através das redes sociais que escrevesse a V Exª antes de hoje, dia em que haverá mais uma tourada, à qual V. Exª foi convidado, mas preferi esperar para ver e para que a minha "veia contestatária" tomasse depois o devido fôlego. 
   Felizmente, não pela RTP que não vejo, mas pelas redes sociais, soube que V Exª não esteve presente no Campo Pequeno e isso deixou-me um bocadinho mais bem disposta, mas se escrevi apenas "um bocadinho", é porque os anos que já vivi, tiveram o condão de me fazerem menos naif do que já fui... 
   Conforme escrevi uma vez sem ter obtido resposta, não votei em V Exª, nem penso alguma vez votar, porque há certos afectos que me cheiram um pouco a esturro. 
    Infelizmente, uma lesão num pé, não permitiu a minha presença hoje no Campo Pequeno ao lado dos meus companheiros, a quem a polícia, seguindo ordens superiores, empilha atrás de grades, como se fossem feras perigosas, ou mercenários terroristas.
   Choca-me profundamente que num país europeu, uma manifestação pacífica incomode tanto quem de pacífico tão pouco tem e é por isso que nas minhas noites de insónia, quando os pensamentos se colam ao tecto aguardando o sono, este conceito de democracia à portuguesa, me perturba tanto...


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     Meu pai era ateu! 

  Eu não sei bem o que sou, mas uma coisa é certa, Sr. Presidente, apesar de ateu, ele soube ensinar-me que não existem raças, crenças, diferenças, tendências nem espécies inferiores a mim e por isso, acredito que o seu ateísmo era mais Cristão que a "fé" de quem vai à missa e se curva perante o corpo que sangra na cruz . 

   Li algures que V Exª não se impressionou com a morte e a sangria dos touros que viu matar em Espanha, mas não precisa ir tão longe, porque por cá há certas excepções que lhe devem agradar, embora destoem com o cargo que V Exª ocupa, mas já agora, permita-me uma questão:
  Onde ficam os afectos perante a barbaridade do sofrimento de um ser senciente chamado para uma "luta" que não quis e que no final lhe custa a vida?
   Se me disserem que enfrentar um bovino assustado, cuja única reacção de fuga lhe é travada pela redondez do recinto e pela vã tentativa de busca de um qualquer canto que o proteja, mas onde apenas lhe resta o medo que lhe quebra a pacata mansidão da lezíria, nesse derradeiro farrapo de força, chamado instinto de defesa, ou de sobrevivência que se debate entre o ruído da assistência, a música que lhe abafa os rugidos de dor e o sangue que lhe queima o corpo, é uma luta igual, talvez eu ache mais justo um combate de boxe, onde os "artistas" lutam com as mesmas armas e em perfeita consciência. 

    Senhor Presidente, não consigo enquadrar qualquer espectáculo onde os intervenientes não sejam da mesma espécie e não actuem de livre vontade e isso remete-me a outras épocas, com tradições horrendas que apenas figuram hoje nos compêndios de História, como símbolos de selvajaria e atraso civilizacional. 
    Se o futebol é hoje um desporto tão apreciado, há mais de três mil anos era um jogo de morte para o vencedor do jogo da bola dos Maias, onde a crença num Além compensatório e heróico, o fazia aceitar com agrado esse previsível destino, o que revela bem como a evolução da espécie humana tem sido lenta, poupando hoje os da sua espécie, mas condenando e divertindo-se com a tortura e morte das outras, talvez porque a altivez de se sentir humano, lhes aniquile a consciência e persista ainda esse tal gozo de escravizar o próximo, sem conseguir sequer vestir-lhe a pele e sentir-lhe as penas, por breves momentos... 

    Este foi mais um daqueles desabafos que me confortam a alma, mas como sou teimosa e de ideias feitas, nada nem ninguém me fará alterar a prosa, porque quem como eu conseguiu ser livre a pulso, numa época em que poucas mulheres o conseguiram, não "há cavalo que me derrube" e embora eu rejeite, como é óbvio que algum "asno me carregue", como quis a Inês Pereira da farsa de Gil Vicente, continuarei alerta contra tudo e todos, na defesa desses sagrados valores que tantos ainda atraiçoam sem pejo ... 

Com os meus respeitosos cumprimentos,
    

domingo, 8 de outubro de 2017

A SELVAJARIA À LUZ DA CEGUEIRA


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    Um país, onde a instaurada hipocrisia pretende convencer os mais incautos de que essa tal "tradição cultural" a que se chama tourada, é tão inocente e humana que nem a morte do touro na arena se consente (salvo algumas excepções) e onde ainda se legisla ironicamente essa "arte"de torturar, através de um Regulamento dos Espectáculos Tauromáquicos (RET), ao qual se terão retirado posteriormente algumas páginas para substituírem o papel higiénico em algumas repartições públicas e até ministérios, cujas insuficientes verbas se canalizam para a sedenta e decrépita indústria tauromáquica em detrimento da higiene íntima dos seus funcionários, não se poderá decerto considerar civilizado... 


    Na verdade, a higiene ética e mental de quem tem o dever de vigiar e autorizar estes eventos, não deve ser grande coisa, pois não enxergam bem quando faltam os licenciamentos, as entradas abusivas de crianças de colo, conforme as fotos, vídeos e comentários que circulam na Internet, bem como a falta de condições referidas no citado  regulamento, sobretudo em algumas praças amovíveis, com os animais sedentos contidos durante longas horas em camiões ou contentores debaixo das altas temperaturas de Verão e depois de feridos e em sofrimento, aguardando penosamente durante a longa espera pelo matadouro que em muitos casos encerra aos domingos, ou funciona a meio gás e onde muitas vezes acabam por chegar moribundos ou mortos...
   
   Ora como não há muito tempo, em resposta a mais um dos meus alertas, a DGAV me solicitou candidamente detalhes sobre o que escrevi, "para serem averiguados", aqui vai o que solicitaram e que ilustra na perfeição a incúria e o compadrio que se verificam nas actuações tanto da Direcção Geral de Veterinária como da Inspecção Geral das Actividades Culturais (IGAC) que se dobram perante os interesses instalados dos lobbies tauromáquicos que apesar de estarem já em avançada decomposição, ainda são protegidos pela tutela e abençoados pela Igreja.  

   Há quem ache que o que se passa fora das arenas fica apenas por lá e não chega ao conhecimento publico, mas nem sempre isso acontece e o que se viu este ano, sobre o que sucedeu em Vila Franca de Xira e não só, ultrapassa todos os limites da decência, se é que ela alguma vez existe em tudo o que envolve a tauromaquia. 

     

    Em Vila Franca de Xira, os festejos são de  violência e pancadaria, mostrando ao mundo a insanidade das suas gentes alcoolizadas e a  conivência das autoridades na infame e indigna tortura de touros e cavalos! 


   Antes do início de um espectáculo, um touro foi estrangulado nos curros com cordas!
   Parece que o animal era "sobrero", expressão que até à data eu desconhecia, mas que me foi depois explicada como sendo própria de um touro suplente que pelo facto de ser menos jovem, poderia ser mais imprevisível ou até mais bravo, o que terá talvez assustado algum "artista" menos afoito que se sentiu bem mais tranquilo com a sua morte atrás das tábuas do que no matadouro, não fosse o diabo tecê-las e o bicho sair-lhe na rifa...   
    Será que o veterinário de serviço presenciou a atrocidade, ou veio só depois declarar o óbito por causas naturais com medo de represálias? 
    É que pelos vistos, tanto em Vila Franca de Xira, como em outras paragens, as "cegueiras" são de tal forma frequentes que tapam  até a justiça, pois na tourada de 5 de Outubro deste ano, o veterinário também não viu que um dos touros era cego de um olho e mandou-o para a arena, onde a sua fraca performance mereceu um "castigo" bem mais severo do que o do doutor  miúpe, cuja simples presença bastou, para que os nossos impostos lhe financiassem o jantar.  

   Infelizmente, quem pagou as favas foi o touro, com dois pares de bandarilhas negras no lombo, com quase o dobro do tamanho do arpão das outras, porque apenas teve a pouca sorte de ser cego e não divertir convenientemente os algozes da assistência. 
    Perante isto e porque está escrito que este tipo de artefacto de tortura, é proibido em Portugal, o que fazia lá a fiscalização do Igac e o tal  "competente" veterinário?
   Será que também não viram, tiveram medo de se manifestar, ou já estavam também com a vista turva? 


  Onde moram as vossas responsabilidades?          Como é possível que se permitam tais atrocidades e atropelos em nome de uma "cultura"bárbara que apenas subsiste na ignorância do povo e nas lixeiras imundas ávidas de sangue de certas sociedades doentias e atrasadas?                                                               Quem são estes nossos governantes e órgãos públicos que financiam e compactuam com tamanha boçalidade?



     SERÁ ESTE UM PAÍS CIVILIZADO ONDE AS LEIS SE CUMPREM E A  NOÇÃO DE CULTURA É VISTA COMO MERECE?               

      

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

CERCIBEJA - VERGONHA NACIONAL!

   As Cercis são instituições vocacionadas para cuidar, proteger, integrar e dar a autonomia possível a quem nasceu diferente. 


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   Hoje preciso de falar de crianças e jovens estigmatizados por aquilo a que alguns chamam "deficiência", mas cujo termo prefiro não utilizar, porque essa "deficiência", não existe neles, mas sim em quem não tem a sensibilidade para os compreender e amar.

   Fui professora durante muitos anos, lutando incansavelmente contra as limitações que me privaram muitas vezes de sonhar com uma escola diferente. 

   Fiz cooperação na Guiné Bissau pós independência e voltei incompleta e desiludida.     

  Poderá alguém aprender, quando tem fome? 

   

      Nos meus últimos anos de ensino, acharam-me capacitada para trabalhar com jovens excluídos. 

     Muitos, sofriam de abandono, maus tratos, problemas de aprendizagem e os outros, das tais "deficiências" que são a razão pela qual hoje aqui escrevo.  

      A responsabilidade de chegar a seres fechados do mundo que os rodeia (autistas) ou com Down, é gigantesca, mas gostei e creio ter feito o meu melhor, porque consegui até que dois cegos tirassem boas notas em Educação Visual, com as loucas técnicas que inventei ou não, para que eles sentissem menos o que os distinguia dos outros.

     Mais recentemente, tive oportunidade de contactar no Reino Unido, com dois centros para jovens diferentes que seguem outros métodos bem distintos dos nossos (Rudolph Steiner).
    Minha filha formou-se e trabalhou por lá algum tempo, mas nem o tempo nem a disponibilidade me chegaram para aprofundar muito essa pedagogia que sem dúvida ultrapassa o "deficiente coitadinho" que por cá se vê.

   Sem sombra de dúvida, o que se vê por cá e neste caso, na Cercibeja, é a brutalidade de uma instituição composta por mercenários egoístas, despreparados e cruéis que agridem a sensibilidade de quem lhes paga as contas, organizando espectáculos degradantes como as touradas, para manipular os cérebros já de si conturbados dos seus educandos. 

    A fragilidade de seres como os que frequentam uma Cerci, não pode jamais ser compatível com tais espectáculos e exibir essas crianças e jovens, como "animais amestrados e submissos", é um atentado ao respeito pelas suas sensibilidades, direitos e estabilidade emocional. 
  
    Um país preocupado com a integração social de todos, jamais deveria sequer admitir tal bouçalidade e quem conhece o íntimo desses jovens, ou se preocupa com o seu bem estar, sabe bem que em muitos deles vive a revolta da incompreensão, o desejo de serem aceites socialmente e a estabilidade que os faça sonhar com um mundo de paz, amor e confiança.

    Para os pais desses jovens desprotegidos e atraiçoados, o meu pesar, porque decerto "despejaram" os seus educandos numa instituição medíocre, sem ética e que apenas serve para os livrar de filhos indesejados.

     Para a Cercibeja, o meu mais profundo repúdio, porque quem a dirige, não merece sequer o ar que respira e menos ainda o cargo que tão desgraçadamente ocupa.   

     

     
    

       

      

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

SER PASSIVO À CRUELDADE?


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   Quem se acha evoluído, jamais poderá não sentir pressa...



     Se o já gasto ditado por vezes usado por alguns que se dizem anti-tourada, de que "Roma e Pavia não se fizeram num dia" lhes chega para sossegar o conformismo, aplaudindo a performance de vermes humanos com demonstrações patéticas em arenas sem ferros, ou em pegas de caras, de cernelha, largadas e outras demonstrações ridículas que apenas convencem de falaciosa inocência os omissos que passam mais ao largo do stress e do sofrimento alheio, aguardando no seu conforto que a abolição das touradas aconteça através de quem luta e se manifesta incansavelmente, dando a cara sem medo, abordando e exigindo explicações a quem de direito e gritando bem alto a sua revolta, jamais poderá contribuir para que os animais sujeitos a estas práticas aberrantes, deixem de ser abusados, ou  possam esperar que a incoerente complacência de muitos, se transforme algum dia em activismo.   

      

    Qualquer espectáculo que inclua animais é, por si só, um acto bárbaro e indigno e quem o apoiar, ou simplesmente admitir, é conivente com a falsidade dos argumentos que o classifica como tradicional, artístico e até pedagógico. 


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   Das acrobacias cretenses sobre bovinos, desvirtuadas mais tarde em práticas bem mais cruéis, implantadas em alguns países europeus que posteriormente as proibiram, subsistem ainda as práticas tauromáquicas, no sul de França, Espanha e Portugal.



    Com as migrações saídas destes dois últimos para as Américas, compostas por  comunidades pouco alfabetizadas e bouçais, os espectáculos tauromáquicos, entraram nesse continente, mas se por lá, o dorso dos touros é protegido, para que não sangre com os ferros, a violência está bem patente na frustração da assistência sanguinária que contrasta com a contestação e os protestos dos americanos mais esclarecidos, em manifestações no exterior dos recintos.

   

      Os portugueses do continente, respaldados por uma fé fictícia e a ambição que o seu escasso território, virado para o mar lhes negava, bem como os seus compatriotas açorianos, tornaram-se quase gente importante noutras terras, levando com eles a língua e o dialecto, mas também a cega ambição de singrar na vida e a saudade das suas terras, alicerçada em tradições obsoletas e grotescas, próprias de uma escolaridade rudimentar e do eterno atraso em que cresceram. 



    São esses descendentes de açorianos incultos e bouçais que se adaptaram como peixes na água nos estados hoje chamados Sta Catarina e Rio Grande do Sul e de cujas ilhas, Pico, Faial e mais tarde da Terceira, entreposto comercial das naus que transportavam as riquezas extorquidas nas Américas que muitos partiram, habituados à criação de gado, à miséria, aos cataclismos naturais e ao trabalho braçal que levaram para o Brasil a "Farra do Boi" e outras práticas de maltrato animal, hoje consideradas bárbaras e inadmissíveis, mas que subsistem apesar das proibições locais. 


     Erradicar a violência, seja ela qual for e de que forma for exercida, deveria ser incumbência de quem se diz evoluído, mas essa mini evolução, passa geralmente pela aceitação comodista de qualquer prática de ocasião e pela crítica a quem a contesta.



    Os espectáculos tauromáquicos que ao longo de cerca de 300 anos da nossa história, sofreram avanços e recuos, com a bula papal do Papa Pio V no século XVI apenas cumprida durante o curto reinado do Cardeal D. Henrique, mas logo desrespeitada, pois a falsidade da Igreja, sempre ligada ao capital, não olha a meios para atingir os seus fins, continuando ainda hoje essas práticas obsoletas nas festas e romarias em honra dos seus santos, bem como a alimentar-se de avultados negócios, como acontece com as Misericórdias, grandes apoiantes do lobbie tauromáquico e com uma certa burguesia endinheirada, sem que haja coragem nem por parte do Vaticano, nem dos sucessivos governos manipulados por interesses económicos de as proibir, já que a existência de comunidades incultas, ignorantes e exploradas, favorece o poder e fortalece-o.    

   O falso domínio do homem sobre a "fera" e a dantesca visão dos animais torturados, é a compensação oferecida às frustrações das comunidades mais brutalizadas e menos esclarecidas, incapazes de vislumbrar que a imensidão dos dinheiros públicos esbanjados lhes é extorquida, para favorecer classes sociais parasitas e moribundas.  

       

    Enquanto o medo de intervir tolher essa faixa um pouco mais consciente da nossa sociedade e as novas gerações forem treinadas para a passividade, ou levadas a aceitá-la como um inevitável dado adquirido, tão visível em comentários vazios de conteúdo, opiniões descontextualizadas e amplamente lidas nas redes sociais, a mudança das mentalidades permanecerá apenas como um fóssil de vontades tremulas, mas vazias de intenções...     

   Enquanto a cultura não for um sério compromisso de quem a ministra e se permitirem educadores retrógrados, cuja falta de sensibilidade e ignorância os torna instrumentos perfeitos desse  sistema lobista, tão inculcado no nosso povo, jamais Portugal estará livre da corrupção e desse atraso civilizacional onde o medo cala as vozes e reduz as inteligências a simples ideias subdesenvolvidas, padronizadas, rotineiras e medíocres.      

    

      


         

        
    

      

     

sábado, 26 de agosto de 2017

BARRANCOS, A DEGRADAÇÃO LEGALIZADA!


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DIVERSÃO

FESTA

APLAUSOS  

TRADIÇÃO

"CULTURA" E VÍTIMAS!



       Quantas vítimas estarão nesta foto?



   A mais evidente é um animal que foi torturado e morto, vítima da ignorância, do sadismo, das frustrações, dos vícios e da demência de uma comunidade. 

   É um ser senciente que foi torturado e morto para diversão alheia e uma morte perfeitamente legal, mesmo em frente da igreja matriz e com a bênção da mesma.   

   Um animal foi torturado e morto por outros animais que se consideram superiores a ele e que se excitam com o cheiro do seu sangue, a visão da sua dor e o supremo poder de matar sem serem punidos!

  Todos eles são igualmente vítimas, embora se achem heróis!


    São as vítimas das rotinas, do meio em que nasceram, do atraso civilizacional em que subsistem, da manipulação e da revolta contida que os priva de se sentirem humanos, mas cujo excesso de bebida lhes extravasa os instintos bouçais, quando o odor a suor paira no ar, a vista se lhes turva e os pés esmagam o sangue que escorre no solo, misturado com as fezes do animal moribundo que aguarda submisso e humilhado o derradeiro golpe, enquanto finalmente os seus carrascos se sentem os heróis aplaudidos pela plateia primitiva e doente. 

  Barrancos é o prato completo da degradação humana!

  Barrancos é o expoente máximo de um país decadente e vendido. 

  Barrancos  é a cópia fiel dos sucessivos governos vindos de uma pseudo revolução que apenas perpetuou a ignorância de um povo, com os falsos argumentos de igualdade e educação para todos.  

   Barrancos e Reguengos de Monsaraz são as excepções que a falta de coragem não deixou que se generalizassem por este país fora e o saudosismo submisso da pegada espanhola que é tudo menos utópico e enquanto por cá se baixa a cabeça às centrais nucleares junto à fronteira, ao furo de petróleo, se fecham os olhos aos touros de fogo de Benavente e se recebem reizinhos em apoteose nesta república abananada, o povinho tortura touros para não ficar para trás desses "hermanos" que de uma ditadura feroz, só conseguiram evoluir para uma monarquia esbanjadora, com um rei assassino de elefantes, porque o gosto pela tortura lhes corre nas veias. 

     E é assim que as tão convenientes vítimas da ignorância, continuam a existir, porque os lobbies e a corrupção se tornaram tão banais que só quem não dorme os notam, enquanto outros os aplaudem, porque afinal a culpa não é dos "patos bravos" que nos governam, mas sim dos touros, porque há quem diga que são muito bravos...   
      

   
      
      
    



terça-feira, 22 de agosto de 2017

"SENHORAS OLÉ"


                 


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   Abomino a palavra senhora, porque me faz lembrar um ser parado no tempo sem iniciativa própria, nem personalidade! 

 

     Só admito e até exijo esse tratamento, em documentos, cartas cerimoniosas ou missivas de quem não conheço e a quem não pretendo dar confiança. 

   

  Com todo o orgulho, sou apenas MULHER!


  Ser mulher, é caminhar por si própria, ser independente, livre de ideias e de escolhas, mas nem sempre é fácil para muitas. 

   Ser mulher, é ir à luta sem medo e enfrentar qualquer obstáculo, consciente de que o vai vencer. 


   Há contudo aquelas que se transformaram apenas em fêmeas, porque perderam a sua identidade e essência feminina!                                                                                                                                     Resultado de imagem para figuras publicas em touradas


  Ser mulher é deixar fluir a sensibilidade materna através do amor, da generosidade traduzida em paz de consciência, mas também dessa sensação boa de que fazemos parte da Mãe Natureza que a todos envolve, sem olhar a raças, cores, géneros ou espécies. 


    As outras, são as "Barbies" das unhas de gel bem casadas,  atraiçoadas, omissas, humilhadas, ou magnanimamente sustentadas, mas eternas virtuosas, "senhoras de faz de conta" que frequentam a burguesia, vestem caro, falam banalidades, são mães extremosas, esposas assexuadas  e submissas. 


    São as "Senhoras Olé" que passam as tardes no shopping e que frequentam as touradas do Campo Pequeno de braço dado, porque é aí que estão os famosos, apesar de lá entrar também a arraia miúda que lá vai, porque sente que assistir à tortura e ao domínio de um ser "inferior", os torna superiores e lhes aumenta a auto estima. 


  E entre as farpas e o sangue que jorra dos touros que segundo dizem, "não sofrem e até se divertem", há negócios, jeitos, trejeitos  e arranjinhos aos intervalos, amantes permanentes ou engates de ocasião e prostitutas de pouca saída, à espera de um freguês que lhes pague o jantar a troco de uns favorzitos, filando sem pestanejar qualquer tanso por entre os ventres oscilantes e os hálitos envinagrados da assistência, já de antemão prontos e precavidos para qualquer emergência, com o tal comprimido milagroso que lhes melhora a performance e os faz sentir quase tão machos, como o toureiro de inchada protuberância que sobressai da reluzente fatiota e que tanto encanta as "senhoras olés" dos camarotes, assim como as badalhocas refeiras da plateia, porque em relação a estes gostos, não há castas nem diferenças... 

     Mas se algumas se deixaram manipular por medo, incapacidade, ou falta de amor próprio e horizontes, que lhes reste pelo menos a compaixão e jamais se lhes fuja a dignidade, os sentimentos, a sensibilidade feminina e a vaga esperança de voltarem a ser um dia de novo "MULHERES"!  

   E é assim que se "cultiva" um povo, como por aí se apregoa, mas para tanta "cultura", desembolsamos todos, quer se seja mulher ou homem, porque também os há com H grande, mas que por serem gente a sério, ficam fora da podridão e das espécies infectadas que corroem as Instituições dos poderosos que mandam e lhes pagam contrariados os salários miseráveis que nem para mandar cantar um cego chegam, quanto mais para sustentar parasitas, putas, champanhe e vícios... 

segunda-feira, 14 de agosto de 2017





COMPADRIO, CORRUPÇÃO  OU  LEIS  DE ENCHER CHOURIÇOS?


  Em Portugal, só o Zé Povinho é obrigado a cumprir tudo e calar a boca!  


   Em Portugal, quando se denunciam os atropelos de uma entidade pública, nunca se obtém resposta, ou quando a temos, vem do manga de alpaca com um texto que nada diz!


  Em Portugal, as elites são protegidas, subsidiadas e paparicadas!


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   Em  Portugal, mataram a democracia, fizeram-lhe o enterro num ermo à socapa e o povo é tão manso que não reparou ainda que ela foi assassinada.  Mas vamos lá ao que interessa, porque o tempo urge e não estamos mais para o perder...


    Vamos falar de cultura?


     É melhor não, porque isso desenvolve os cérebros, torna as consciências despertas, activa as ideias e isso só convém, quando o povo tem quem o ouça e respeite, o que não é o caso...

    Vamos falar das leis escondidas nas gavetas desarrumadas da Inspecção Geral das Actividades Culturais (IGAC), como por exemplo o RET (Regulamento dos Espectáculos Tauromáquicos) que por sinal, raramente é lido e menos ainda cumprido, porque ao contrário de qualquer actividade artística, propriamente dita que é "vasculhada" e espremida até ao tutano, quando se trata de touros e bêbados, há carta branca para avançar, mesmo que o fiscal esteja de férias, como aconteceu recentemente em Riachos (Torres Novas) onde as inspecções nunca foram necessárias e até "desconhecidas", ou em outras terriolas que poderei mencionar este ano e nos que já passaram. 

    Em Viana do Castelo, contra a Autarquia, contra a vontade do povo e à queima roupa, parece que este ano vai haver tourada!
   

   Não será a 1ª vez que o IGAC fechará os olhos, se é que alguma vez os abre, quando toca aos touros!


   Não será também que uma estrutura sem condições, um matadouro distante e uns animais em sofrimento mais tempo do que o permitido, não merecem a atenção de tão doutas criaturas?
    De facto, falar nos animais, nem vale a pena, porque ao fim e ao cabo, os touros são apenas a carne e o sangue que escorre das feridas que divertiram alguns e perante tamanho gozo, o resto fica só no papel e quem sabe se também nuns trocos e mordomias que alguém ganha para esquecer a lei e dormir de consciência tranquila, porque a incúria lhe assegura o sustento. 

    E por aqui me fico, porque gastar latim com quem se faz surdo, talvez só valha a pena, quando os cravos se transformarem nas bandarilhas cravadas em quem pensa que o povinho continuará eternamente calado, manso e fácil de enganar ...